Começam hoje, na Argentina, os jogos que vão decidir o nome do futuro campeão mundial de xadrez. Há, infelizmente, ausências a lamentar, em especial Garry Kasparov, o melhor jogador de todos os tempos (acho que é apropriado chamar-lhe o Michael Jordan do xadrez) e que decidiu abandonar a competição este ano, para se dedicar à actividade política na Rússia, bem como outro russo, Vladimir Kramnik, uma espécie de campeão do mundo não-oficial, e que provavelmente irá defrontar o vencedor deste campeonato mundial, para finalmente, depois de muitos anos de muita confusão, o xadrez voltar a saber quem é mesmo o campeão mundial de xadrez.
Relativamente ao campeonato que hoje se inicia, o favoritismo vai para o indiano Anand, mas qualquer um dos outros sete participantes poderá sagrar-se campeão. Eu vou torcer pela vitória da única mulher participante, a húngara Judit Polgar, a primeira mulher na história do xadrez a jogar ao nível dos melhores homens, e que há muitos anos recusa participar em torneios onde haja competições separadas por sexos. Aliás, como não há mais nenhuma mulher a jogar ao nível dela, não me lembro do último jogo oficial que ela jogou contra uma mulher (não deve ter sido nos últimos dez anos!).
Ontem, depois dos tais dez minutos de zapping televisivo, fui até Limpertsberg (uma das zonas em que se divide a cidade do Luxemburgo), até à sede de um clube de xadrez que, tinha visto na internet, junta os elementos do clube às quintas-feiras.
A primeira impressão foi muito esqusita, quatro pessoas a jogarem xadrez e a falarem luxemburguês, que para mim é ainda mais incompreensível que o alemão. Lá tentei falar no meu francês a precisar de muito treino, mas rapidamente percebi que, para eles, o francês era também uma língua estrangeira.
Num misto de francês e inglês lá consegui dizer que queria jogar, e rapidamente arranjei um adversário.
Quem já jogou xadrez, sabe que não é muito difícil, nem demora muito tempo, a perceber a qualidade do adversário. Rapidamente, passei do curioso que tinha ido apenas jogar umas partidas de xadrez, para um potencial jogador da equipa, com direito a preencher logo ali a ficha de inscrição e a garantia de fazer parte da equipa que disputa a primeira divisão de xadrez do Luxemburgo.
Cerca de 15% da população do Luxemburgo é portuguesa, a percentagem é ainda maior na cidade do Luxemburgo e quando entro num supermercado fico com a sensação que mais de metade das pessoas são portuguesas. Na zona onde se situa o aparthotel onde estou alojado quase todos os cafés e restaurantes pertencem a portugueses. Já se tornou por isso normal encontrar portugueses em todo o lado: ir a uma loja de telemóveis e os dois empregados serem portugueses, ir a uma imobiliária e a empregada ser portuguesa, chegar ao Tribunal de Contas Europeu e um dos seguranças ser português, não esquecendo os taxistas e os condutores de autocarro. A surpresa é chegar a um sítio e não encontrar portugueses. Foi precisamente isto que me aconteceu no passado Domingo. Num torneio de xadrez com 120 participantes, seria de esperar encontrar alguns portugueses, mas não. O único era mesmo eu. Gostei muito deste meu primeiro torneio por terras luxemburguesas, e digo primeiro porque tenho a certeza que outros se seguirão, quem sabe não acabo mesmo por encontrar outro português no Luxemburgo a participar em torneios de xadrez.
Terminou hoje, em Vila Real, o Campeonato Nacional Individual Absoluto de Xadrez. E este campeonato terminou da melhor forma, com um jogo entre os dois únicos jogadores que podiam vencer a prova. De um lado, Luis Galego, o melhor jogador português de todos os tempos, que tendo feito uma prova muito boa, se via, no entanto, forçado a vencer hoje para revalidar o seu título, isto porque o seu adversário, Rui Dâmaso, tinha feito uma prova verdadeiramente sensacional só tendo cedido um empate nas oito partidas anteriores.
Um encontro cheio de emoção, com Luís Galego, a jogar de pretas, a confirmar o seu favoritismo, vencendo a partida e continuando como campeão nacional.
O numero do título é o meu lugar no ranking mundial de xadrez, e corresponde a um Elo (expressão utilizada no xadrez para definir o rating que classifica o valor dos jogadores) de 1927 (a nível nacional, sou neste momento o 224.º). Por comparação, refiro que Luis Galego, o melhor português com o seu Elo de 2493 é, neste momento, o 697.º do ranking mundial.
Amanhã sai a nova lista, em que o meu Elo vai aumentar 23 pontos para os 1950. Para o resto do ano, fica o objectivo de atingir os 2000.
Regressado de um fim-de-semana em Odemira para jogar xadrez, em que fiz um torneio médio (era o 79º à partida e fiquei em 83º).
Para além do muito calor alentejano, de um torneio muito bem organizado com excelentes jogadores, registo uma frase ouvida ao vencedor do torneio, o canadiano Kevin Spraggett: "You don't have to be crazy to play chess, but it helps". Tem toda a razão!
Ontem, aquele que e, provavelmente, o melhor jogador de sempre de Xadrez de todos os tempos, anunciou a sua retirada do xadrez profissional. Depois das enormes confusoes dos ultimos anos, sem se saber ao certo quem e o campeao do mundo, o xadrez profissional ficou ontem muito mais pobre.
P.S. Não tinha referido o nome, mas trata-se de Garry Kasparov, o jogador que liderou o ranking de xadrez nos últimos 20 (!) anos.
No outro dia falei de uma analogia entre o abandono numa partida de xadrez e a não-insistência em situações que são perdidas. Ontem tive a oportunidade de me deparar perante uma situação que já me aconteceu algumas vezes em partidas de xadrez, e que acho que é também uma boa lição para a vida. Quando estou em situações de vantagem em jogos de xadrez, já me aconteceu afrouxar a minha concentração, e desperdiçar a vantagem, empatando ou mesmo perdendo (como ontem) partidas que pareciam garantidamente ganhas. Também na vida, muitas vezes perante situações que parecem garantidas, há a tendência para tomá-las por certas, não fazendo o esforço necessário para as manter.
"O xadrez é como a vida", esta frase, atribuída ao ex-campeão mundial russo Boris Spassky, reflecte a analogia que existe entre este jogo secular e outros aspectos da vida.
Uma das decisões mais difíceis com que se depara um jogador de xadrez é, perante uma derrota praticamente inevitável, saber quando deve abandonar, quando por respeito ao adversário deve assumir com fair-play que a partida está perdida, pelo que não a deve prolongar desnecessariamente.
No xadrez, como na vida, há pessoas que optam por um abandono logo que vêm que as hipóteses de escapar à derrota são muito pequenas, e há outras que teimam em continuar a lutar, que acreditam que até levarem o mate final devem continuar a tentar...
O xadrez é um hobby que me tem acompanhado nos últimos 15 anos de forma intermitente: desde alturas em que jogo com muita frequência, a outras em que raramento faço uma partida (foi assim nos primeiros quatro anos que estudei em Coimbra). Quem leia com alguma frequência este blog, já teve oportunidade de acompanhar essa intermitência. Depois de alguns meses afastado dos tabuleiros, as últimas semanas têm sido marcadas por alguns jogos de xadrez. Já aqui referi a qualificação da minha equipa (Clube TAP) para as meias-finais da Taça de Portugal de xadrez. Hoje inicio um torneio que me vai ocupar grande parte das noites nas duas próximas semanas, é caso para dizer, como no provérbio popular, que não há fome que não dê em fartura. Confesso que nestas noites me apetecia mais ficar em casa junto à lareira, a beber um chá ou chocolate quente, enquanto via televisão ou um dos muitos filmes que tenho para ver, ou quem sabe, a ler um bom livro ao som de uma boa música. No entanto, o facto de simpatizar bastante com o organizador deste torneio e de ele ter feito questão que eu participasse, não me deixou recusar o convite.
Resta-me aproveitar estes jogos de xadrez para me divertir, tentar fazer bons resultados, com a certeza de que em Dezembro a minha lareira estará lá para me acolher nas noites frias de Inverno.
Esta tarde mais uma partida de xadrez. A minha vitória a contribuir para a vitória da minha equipa, que nos qualificou para as meias-finais da Taça de Portugal de Xadrez, um feito notável para uma equipa como a nossa. Vamos ver o que acontece daqui a 2 semanas...
Complementando o post do outro dia, informo os leitores que na passada segunda-feira, o russo Vladimir Kramnik assegurou a manutenção do título de campeão do mundo de xadrez, vencendo a 14ª e última partida do match que o opunha ao pretendente Peter Leko. Tal como é tradição nestes desafios, em caso de empate o campeão mantem o título.
Quanto às Olimpíadas de Xadrez, elas continuam a disputar-se na ilha de Maiorca, com os resultados portugueses a ficarem dentro das expectativas na selecção masculina, e um pouco aquém no caso da equipa feminina, em especial Catarina Leite, a melhor jogadora portuguesa de todos os tempos, que está a fazer uma prova muito abaixo das suas possibilidades.
Para quem gosta de xadrez, deixo aqui três breves referências:
Inicia-se amanhã a 36ª Olimpíada de xadrez, a decorrer bem perto de nós, em Calvià na ilha de Maiorca. Esta é a oportunidade de alguns dos melhores xadrezistas mudiais lutarem pela vitória das suas selecções. Portugal vai estar representado por alguns dos seus melhores praticantes, quer em masculinos, quer em femininos, e deixo o site para poderem acompanhar o que por lá se vai passando.
Hoje, no próximo Sábado e na próxima Segunda-feira, disputam-se as três derradeiras partidas para decidir quem é o campeão mundial de Xadrez. Este match opõe o russo Vladimir Kramnik (actual detentor do título) ao húngaro Peter Leko, que segue em vantagem. As três partidas prometem ser interessantes, por isso, para quem goste muito de xadrez aconselho que acompanhem estas partidas que se iniciam às 14.00 portuguesas. Poderão fazê-lo neste site.
Last, but not least, termina amanhã o torneio G D Carris 2004, torneio que tenho disputado com bons resultados. Uma vitória na última partida faria deste um dos torneios onde obtive melhores resultados na minha breve carreira xadrezística, por isso, e porque sei que os leitores deste blog estão a torcer por mim, anuncio que o jogo se inicia às 19h30 e será disputado na sede da Carris, na estação de Santo Amaro, junto ao Calvário. Embora o conceito de claque não esteja, ainda, desenvolvido no xadrez, esta poderia funcionar como uma experiência-piloto...
Já aqui escrevi algumas vezes sobre as minhas insónias, muitas não têm causa aparente, mas a de esta noite teve: a minha partida de xadrez de ontem. Ao fim de quatro horas de jogo, a alegria por ter conseguido recuperar de uma posição bastante complicada, deslumbrou-me, e impediu-me de ver que o lance, que eu julgava ser o que permitia a vitória mais bonita, era o que permitia ao meu adversário empatar o jogo... Um empate contra um adversário mais cotado, até podia ser um bom resultado, mas da forma como foi obtido, tem o gosto amargo de uma derrota, e acreditem, que na minha cabeça ainda estou a ver a posição, sem perceber porque joguei f7 ao invés de fxg6+...
Os leitores habituais deste blog talvez tenham reparado que, nos últimos meses, não tenho feito referências a torneios de xadrez. A razão é bem simples, é que não tenho participado em nenhum. A partir de amanhã inicio a participação num torneio organizado pela Carris, o que implicará que em sete noites das próximas semanas, entre as 19h30 e as 23h30 estarei ocupado a jogar xadrez. O pior, é que o que há uns anos atrás seria uma óptima ocupação, é hoje, muitas vezes, um exercício de paciência, e durante as horas que dura um jogo de xadrez, o mais certo é a minha cabeça estar a pensar em tudo menos na partida que estou a disputar.
Quem sabe se com este torneio, volto a achar quatro horas a jogar xadrez um programa atractivo?
O dia de ontem, marcou o início de mais um Campeonato Nacional da IIª Divisão em Xadrez. Depois da subida da época passada, o objectivo deste ano passa essencialmente pela manutenção, o que não é um objectivo tão simples, porque em 10 equipas, 4 baixam à IIIª Divisão e só a primeira ascende de escalão.
Estava bastante animado com a perspectiva de dar o melhor pela minha equipa, quando soube que não contavam comigo para o jogo de ontem. Fiquei surpreendido, achei que a minha prestação no ano transacto me assegurava o lugar na equipa, e tanto insisti, que lá consegui convencer o responsável pela equipa para me incluir. O jogo era contra uma equipa boa, que já há muitos anos anda pela Iª e IIª Divisão, e depois da minha insistência em fazer parte da equipa tinha a consciência que qualquer resultado menos bom significaria grande dificuldade em integrar a equipa nos próximos tempos. Para quem gosta de jogar xadrez, como eu, isto poderia ser uma pressão demasiado grande. Felizmente, estes anos de xadrez ensinaram-me a lidar bem com a pressão, e apesar das insistências dos meus companheiros de equipa para eu aceitar o empate, acabei por ganhar um jogo, que contribuíu para a vitória da nossa equipa, que assim iniciou da melhor forma esta competição. Para mim, além da importância da vitória colectiva, foi mostrar, numa altura em que o meu valor tinha sido questionado, que podem contar comigo, pelo que, nos próximos meses, muitos dos meus sábados vão ser ocupados a jogar xadrez.
Jà se completaram três anos desde que vim trabalhar para Lisboa, e mesmo assim conheço tão mal a Grande Lisboa. Felizmente que às vezes o xadrez "obriga-me" a deslocar até sítios que conheço mal, ou que não conheço mesmo. Este fim-de-semana alargado, aproveitei para participar num torneio de xadrez no Monte Estoril e vou aproveitando os intervalos entre partidas para conhecer um pouco melhor Cascais. Gosto muito de morar na margem sul, mas Sintra e Cascais têm uma beleza que me cativa sempre que lá vou.
Quanto ao torneio, ontem depois de ter chegado bastante atrasado à primeira partida e ter-me contentado com um empate, à noite num jogo em que parecia certo que iria conseguir a minha melhor vitória de sempre, acabei por sofrer a derrota mais frustrante. Com uma partida ganha e o meu adversário apenas com alguns segundos no relógio, acabei por não conseguir resistir à pressão de fazer um resultado surpreendente...
Hoje há mais duas partidas, e o meu objectivo passa por ganhar as duas por forma a conseguir uma classificação aceitável.
Deixo aqui o balanço da minha participação no Campeonato Nacional de Xadrez - Torneio de Apuramento. Em 9 jogos, 1(!) vitória, 4 empates e 4 derrotas. 47º em 52, quando à partida era o n.º 37. O balanço é claramente negativo.
Nos próximos dias vou participar no Campeonato Nacional Individual de Xadrez, isto significa que o tempo vai escassear para outras coisas, provavelmente também para o blog. Vou tentar ir dando, pelo menos, novidades de como vai correndo o campeonato. Este ano foi introduzida uma nova fórmula, disputando-se três torneios em simultâneo, estive indeciso entre participar no torneio aberto, onde estaria a jogar para vencer, e o de apuramento, com jogadores mais fortes, onde jogo para não ficar nos últimos, escolhi este último, pelo que, a derrota será provavelmente o resultado mais frequente.
Quem gostar destas coisas do xadrez, pode consultar mais informações na página da FPX, ou dirigir-se ao Hotel Metropolitan, em Lisboa, para assistir ao vivo (horários das sessões na página da FPX).