Nestes primeiros tempos no Luxemburgo, já algumas pessoas me disseram que eu não era nada um "típico português", esta afirmação foi dita por pessoas que moram no Luxemburgo, sendo algumas destas pessoas de Portugal a as restantes de outras proveniências.
Como primeira nota, devo referir que o facto de ter sido dito como um elogio, revela a imagem que os portugueses transmitem por aqui.
Em relação à afirmação em si, é óbvio que não sei o que será um típico português e, provavelmente, até estarei muito longe dessa definição. O que me parece certo é que, no Portugal do século XXI em que a maioria das portugueses mora em centros urbanos, eu estarei certamente mais perto do típico português do que a maioria dos emigrantes portugueses no Luxemburgo, que são a imagem que a maioria dos que aqui residem tem dos portugueses em geral.
Mesmo não sendo a minha opinião, aceito que muitos achem que o Prof. Cavaco SIlva foi um bom primeiro-ministro. Agora que os portugueses considerem que ele tem perfil para Presidente da República é algo que escapa à minha compreensão.
O homem que nunca se enganava e raramente tinha dúvidas, que dedicava 5 minutos por dia à leitura de jornais, que desconhecia a palavra diálogo e que nos últimos tempos esteve recolhido nas suas aulas, regressa agora, para ser eleito, aparentemente por larga maioria, Presidente da República.
Só espero que nos jantares oficiais não se lembrem de ter bolo para sobremesa...
Muito poucas surpresas.
Não esperava que a Fátima Felgueiras ganhasse com uma vantagem tão grande.
Destaco a subida da CDU, com a recuperação de algumas câmaras (Marinha Grande, Barreiro, Sesimbra, etc.). É bom ver os portugueses reconhecerem quem faz um bom trabalho, e eu, que até há pouco tempo morava num concelho com câmara comunista, julgo que em Portugal as autarquias que melhores resultados apresentam são as presididas pela CDU.
Este fim-de-semana, curiosamente, realizam-se as eleições autárquicas tanto em Portugal, como no Luxemburgo. Embora esteja a residir no Luxemburgo, confesso que, como não conheço os partidos, nem os candidatos, o resultado das eleições no Luxemburgo é-me totalmente indiferente, tive apenas a curiosidade de ver se havia algum candidato português nas listas à cidade do Luxemburgo, tendo encontrado alguns compatriotas nas listas do Partido Comunista, bem como noutro partido de esquerda. O mesmo não se passa em relação às eleições em Portugal, estou muito curioso por saber os resultados destas eleições, que ganhou um interesse especial pela participação de candidatos arguidos em processos-crime, não só os quatro que concorrem como independentes (Valentim Loureiro, Ferreira Torres, Isaltino Morais e a famosa Fátima Felgueiras), mas também Isabel Damasceno, que se recandidata com o apoio do PSD, mesmo depois de ter sido constitída arguida.
Afastando os casos do Major Valentim Loureiro e de Isabel Damasceno cujos processos não têm a ver com desvio de dinheiros públicos, não consigo perceber como é que os habitantes de Felgueiras, Amarante e Oeiras podem ponderar a eleição de pessoas com fortes suspeitas de terem aproveitado os cargos que ocupavam para enriquecimento pessoal. Pode ser que este fim-de-semana me traga a surpresa posistiva de nenhum destes três ser eleito.
Além destes concelhos que ganharam uma notoriedade extra nos últimos dias, há outros cujo resultado me interessa bastante. Um deles é Lisboa, onde as sondagens parecem demonstrar que o descontentamento com o trabalho da dupla Santana/Carmona não vai ser aproveitado pelo PS, muito por culpa da imagem do seu candidato, que não conseguiu afastar a imagem elitista que não agrada à maioria do eleitorado. Mas se a falta de simpatia de Carrilho até me parece um critério válido para não votar no PS, discordo dos que dizem preferir o engenheiro Carmona Rodrigues por este ser um técnico e não um político. É que o cargo de Presidente da Câmara é um cargo político, e por isso deve mesmo ser desempenhado por um político, da mesma forma que o chefe de obras deve ser um técnico.
Infelizmente, devido ao facto de ainda não ter TV nem Internet em casa, não vou poder acompanhar como desejava o desenrolar do escrutínio, mas na segunda-feira vou conferir com grande interesse os resultados destas eleições que tèm um papel muito importante na nossa democracia.
Ontem, enquanto a RTP Internacional dava mais um episódio da telenovela "Filha do Mar", aproveitei os meus dez minutos de televisão diários para fazer um zapping pelos diversos canais, na sua maioria franceses e alemães. Se nos franceses ainda percebo alguma coisa, nos alemães limito-me a ver as figuras, e as imagens de ontem levam-me a pensar que cinco dias depois das eleições, os alemães ainda estão longe de saber quem vai ser o próximo chanceler.
Depois da grande confusão das eleições americanas de 2000, e agora este impasse alemão, cada vez me parece mais que o nosso sistema eleitoral, não sendo perfeito, não é tão mau assim.
Cerca de 15% da população do Luxemburgo é portuguesa, a percentagem é ainda maior na cidade do Luxemburgo e quando entro num supermercado fico com a sensação que mais de metade das pessoas são portuguesas. Na zona onde se situa o aparthotel onde estou alojado quase todos os cafés e restaurantes pertencem a portugueses. Já se tornou por isso normal encontrar portugueses em todo o lado: ir a uma loja de telemóveis e os dois empregados serem portugueses, ir a uma imobiliária e a empregada ser portuguesa, chegar ao Tribunal de Contas Europeu e um dos seguranças ser português, não esquecendo os taxistas e os condutores de autocarro. A surpresa é chegar a um sítio e não encontrar portugueses. Foi precisamente isto que me aconteceu no passado Domingo. Num torneio de xadrez com 120 participantes, seria de esperar encontrar alguns portugueses, mas não. O único era mesmo eu. Gostei muito deste meu primeiro torneio por terras luxemburguesas, e digo primeiro porque tenho a certeza que outros se seguirão, quem sabe não acabo mesmo por encontrar outro português no Luxemburgo a participar em torneios de xadrez.
Desde que estou no Luxemburgo, quando falo com um não-português pela primeira vez, o mais certo é falarem-me nos fogos florestais.
Se alguns achavam mal sermos conhecidos principalmente pelo futebol e pelo Figo, o que acham da mudança?
Depois do discurso "claro", a piada: "tinha mais condições para vencer Cavaco (do que Soares)".
Manuel Alegre já percebeu que em Portugal o que está na moda não é a poesia, mas sim o humor.
Graças à RTP-Internacional vejo o discurso de Manuel Alegre, ouço o "jovem" de 69 anos pedir a renovação da política portuguesa, ouço-o também dizer que tinha margem para um resultado espectacular. Faz-me lembrar as suas afirmações quando foi candidato à liderança ao PS contra José Sócrates. Será que é assim tão difícil para ele perceber que o seu nome tinha sido apontado, só para que Cavaco não ganhasse sem oposição?
Isto de dizer que não quer divisões no PS e, simultaneamente, criticar a escolha da direcção socialista é, evidentemente, birra de mau perdedor.
Depois de alguns dias de especulação e muitas conjecturas (que incluíam mesmo ligações a Portugal), o caso do "misterioso pianista" que tinha aparecido numa praia inglesa caíu no esquecimento. Descobre-se agora que tudo não passou de uma enorme farsa protagonizada por um jovem alemão, que nem sequer sabia tocar piano.
Confirmou-se que é fácil iludir os psiquiatras, o estudo da mente humana está longe de ser uma ciência exacta.
Enquanto se vão desvendando os factos sobre a morte de Jean Charles Meneses, o brasileiro morto pela polícia londrina, mais se percebe que se tratou de um enorme erro, com as consequências que se conhecem. Erro que a polícia britânica tentou encobrir, inventando uma série de circunstâncias, que viriam a ser totalmente refutadas (não trazia qualquer casaco grosso, não tinha saltado a barreira do metro, não tinha fugido à polícia,...). É natural que os polícias londrinos estivessem numa situação complicada, depois do que tinha acontecido e com a missão de impedirem novos atentados. Isso não pode significar que não sejam julgados pelos seus actos, e nada justifica esta tentativa de encobrir o que verdadeiramente se passou, faz lembrar a história macabra que aconteceu num posto da GNR de decapitar um suspeito depois de ele ter sido morto por acidente com uma bala na cabeça.
Quando se julgava que todos condenavam este ataque, eis que surge Pacheco Pereira que já descobriu que a culpa da morte do jovem brasileiro é dos"terroristas da Al-Qaida, que eles sim mataram o infeliz trabalhador brasileiro".
Palavras para quê?
É apenas impressão minha, ou cada vez os ginásios estão mais cheios e as bibliotecas mais vazias?
Entre o corpo são e a mente sã, a escolha vai pendendo para o físico...
Para os que optam por cultivar o corpo, há que dizer, no entanto, que um em dois já não é mau, e é bem melhor que a maioria.
A qualidade dos espaços de informação nas televisões portuguesas deixa muito a desejar, e se falarmos nos noticiários da TVI, podemos mesmo dizer que eles são maus. O grave é que uma parte importante da população portuguesa só tem acesso à informação pelos noticiários televisivos e, pior do que isso, tomam como certo tudo o que lá é dito. Vem isto a propósito de uma notícia de hoje do Jornal da Tarde da TVI, em que ao comparar o número de dias de férias em diversos países, chegava à conclusão que a produtividade tinha relação inversa com o número de dias de férias, tendo maior produtividade os países com menor número dias de férias. Não é preciso muito para desmontar esta lógica, basta referir um dado mencionado na própria notícia: na Suécia o número de dias de férias é superior ao que se verifica em Portugal.
Há 60 anos atrás, o Homem descobria que tinha a possibilidade de destruír a Terra.
Por diversos factores, entre os quais alguma sorte, o nosso planeta tem sobrevivido a esta capacidade de destruição. É verdade que há os constantes atentados ambientais ou as mutações climatéricas provocadas pela emissão de gases, mas esta destruição lenta do nosso planeta não é nada, quando comparada com os efeitos que teria a utilização de armas atómicas.
Com o crescimento dos grupos terroristas, o alargamento do número de países que possuem esta tecnologia, a pressão demográfica e a escassez inevitável de alguns recursos, penso que é muito optimismo acreditar que a Terra irá resistir mais 60 anos sem que alguém tenha a tentação de carregar no botão. Eu considero-me uma pessoa optimista, mas não tanto...
Estando em Pombal é difícil fugir ao tema dos incêndios. Pela janela do meu quarto, a luz que entrava nos últimos dias foi hoje substituída pelo fumo dos inúmeros fogos florestais que assolam o concelho.
Não vai ser desta que vou ficar milionário. Ainda pensei em registar um biilhete no Euromilhões, mas bastou-me ver a fila na papelaria junto a minha casa para mudar de ideias.
Restaurante lactovegetariano; Merceria de produtos biológicos; Espaço de terapias diversas (reflexologia, reiki, massagem bioenergética, shiatsu, cromoterapia, acunpuctura...).
Fica perto da Praça da Alegria e vale a pena visitar. Recomendo principalmente o jardim, um óptimo sítio para tomar uma refeição calmamente. Ninguém diria que estamos tão perto da Avenida da Liberdade, a rua mais poluída de Portugal.
Um espaço que gostei muito de conhecer e ao qual quero voltar mais vezes.
Regressei agora de mais uma jornada de compras num hipermercado. Eu sei que posso parecer masoquista mas até acho divertido fazer compras. Gosto de ver as "novidades" e, claro, ouvir os comentários das pessoas. Sempre assumi a minha vertente voyeur, e há poucos sítios em que se possa observar o homo sapiens ser tão genuíno como na altura de fazer compras num hipermercado. Mas, voltando ao assunto deste post, estava eu entretido a ver os iogurtes que ia levar quando reparei que numa determinada marca de iogurtes, um conjunto de 8 custava ligeiramente mais do que o dobro do conjunto de 4. É verdade que a diferença nem era muita, mas qual o sentido de vender mais caro o conjunto de oito, quando as pessoas podem levar em alternativa dois conjuntos de 4. Talvez isto seja só para comprovar que os portugueses são mesmo maus a Matemática, e que os resultados dos exames do 9% ano, de que a imprensa fez recentemente destaque, não são mais do que a consequência desta aversão nacional às "contas". Isto é mais preocupante, na medida em que com a evolução da conjuntura nacional, é provável que os portugueses sejam obrigados, cada vez mais, a fazer bem as contas ao seu orçamento. Estava eu ainda a pensar que se os consumidores fossem racionais, não seria vendida uma única embalagem de 8 iogurtes, quando reparo que na secção de iogurtes líquidos, um determinado iogurte de 600 ml era vendido a um preço bastante superior a quatro embalagens de 200 ml do mesmo iogurte (para quem não sabe 4x200ml=800ml). Desisti de tentar perceber a lógica desta fixação de preços e nem disse a uma senhora que agarrava numa destas embalagens de 600 ml que era mais lógico adquirir o conjunto de 4 embalagens de 200 ml. Sei que não sou propriamente a regra, nem todos tinham por disciplina favorita a Matemática, e por acontecimento mais importante do ano escolar as Olimpíadas da Matemática. Por isso, acho mal que, determinado hipermercado, do qual não vou dizer o nome, nem vou referir que tem por símbolo um animal com tromba, ande, deliberadamente, a gozar com os portugueses.
Nestes tempos de "aperto de cinto", aumento do IVA, aumento dos combustíveis, e tudo o mais que serve para deprimir ainda mais os portugueses, é bom encontrar distracções que nos façam esquecer estes aspectos menos bons. É nesse sentido que encaro as intervenções de Alberto João Jardim, ele tenta ser uma espécie de "Prozac" nacional que, com as suas intervenções disparatadas, tenta animar os portugueses. Infelizmente, o disparate repetido constantemente perde a piada, por isso, os portugueses têm de procurar a tal distracção para os problemas noutros sítios, é aqui que entra o Euromilhões, o tal concurso que dá os prémios fantásticos, e que embora necessite apenas de alguns minutos para preencher o boletim e sua entrega, garante uma semana de distracção, porque as pessoas podem comentar o que fariam se ganhassem as quantias fantásticas em jogo. A mais divertida que ouvi, foi a de uma rapariga nos seus vinte e poucos anos a comentar que compraria o carro dos seus sonhos, um Ford Focus (que grande doida!).
Confesso que estes jogos não me atraem, se gosto imenso de jogar, não me agradam os jogos que dependem apenas da sorte e sempre achei que estes jogos eram um "roubo" descarado, que até fazem os casinos parecerem altruístas (nos jogos da Santa Casa o montante para prémios veria entre cerca de 30% e os 50% das receitas, enquanto nos casinos esta percentagem é sempre superior a 90%). No entanto ao ver a febre que afecta grande parte dos meus colegas, disse há umas semanas atrás que jogaria quando o prémio chegasse aos 100 milhões de euros, já sei que o valor do primeiro prémio na próxima semana é de 96 milhões de euros, talvez seja a altura de fazer a minha estreia neste concurso, e apostar pela primeira vez num concurso da Santa Casa nos últimos dez anos. Talvez assim entre nesse autêntico passatempo nacional de sonhar o que eu faria com tanto dinheiro. Posso, desde já, adiantar duas coisas: não compraria um Ford Focus, nem voltaria a trabalhar por conta de outrém.
Boa sorte!
"Não há regra sem excepção"
A ser verdade, era o exemplo de uma regra sem excepção.
Já aqui escrevi que Londres é uma das minhas cidades preferidas.
Talvez por isso, os atentados de hoje que seriam uma tragédia em qualquer cidade do mundo, me tocam um pouco mais. Talvez por isso, não quisesse acreditar que se tratava mesmo de uma acção terrorista.
Como diria John Lennon:
"Imagine there's no countries,
It isnt hard to do,
Nothing to kill or die for,
No religion too,
Imagine all the people
living life in peace..."
Com a presidência da União Europeia, em que tenta desviar as prioridades do Orçamento comunitário da agricultura e coesão para a inovação e tecnologia; anfitrião da conferência dos países mais ricos do mundo, depois de ter colaborado com a organização do espectáculo Live 8; finalmente, a vitória de Londres na corrida para a organização dos Jogos Olímpicos de 2012, em que se empenhou profundamente. Parece que não há dúvidas, o homem do momento é mesmo Tony Blair.
Ao ver a notícia da venda de um quadro da colecção do falecido Champalimaud por 17 milhões de euros, lembrei-me de uma música dos anos 80, que recordo muito bem, até porque o videoclip estava gravado numa daquelas cassetes VHS que eu e o meu irmão víamos vezes sem conta.
"Post office clerks put up signs saying position closed
And secretaries turn off typewriters and put on their coats
Janitors padlock the gates
For security guards to patrol
And bachelors phone up their friends for a drink
While the married ones turn on a chat show
And they'll all be lonely tonight and lonely tomorrow
Gentlemen time please, you know we can't serve anymore
Now the traffic lights change to stop, when there's nothing to go
And by five o'clock everything's dead
And every third car is a cab
And ignorant people sleep in their beds
Like the doped white mice in the college lab
Nothing ever happens, nothing happens at all
The needle returns to the start of the song
And we all sing along like before
And we'll all be lonely tonight and lonely tomorrow
Telephone exchanges click while there's nobody there
The Martians could land in the carpark and no one would care
Close-circuit cameras in department stores shoot the same video every day
And the stars of these films neither die nor get killed
Just survive constant action replay
Nothing ever happens, nothing happens at all
The needle returns to the start of the song
And we all sing along like before
And we'll all be lonely tonight and lonely tomorrow
Bill hoardings advertise products that nobody needs
While angry from Manchester writes to complain about
All the repeats on T.V.
And computer terminals report some gains
On the values of copper and tin
While American businessmen snap up Van Goghs
For the price of a hospital wing
Nothing ever happens, nothing happens at all
The needle returns to the start of the song
And we all sing along like before
Nothing ever happens, nothing happens at all
They'll burn down the synagogues at six o'clock
And we'll all go along like before
And we'll all be lonely tonight and lonely tomorrow"
Del Amitri, Nothing Ever Happens
P.S.: Esta é também a música em escuta aqui no Fight Club
Não é a primeira vez que escrevo sobre este assunto, presumo que o vou voltar a fazer. Hoje em conversa com alguns colegas de trabalho, percebi que a reacção da maior parte das pessoas à diferença (seja de religião, cor ou opção sexual) continua a ser rejeitá-la. Esta atitude choca-me profundamente, em primeiro lugar, porque em pleno século XXI não é normal que pessoas com educação universitária ajam com base em preconceitos, depois, porque esta rejeição só agrava os conflitos que já existem, e é, por isso, na minha opinião, também uma atitude pouco sensata.
O crescimento do Google continua a ser espectacular. Uma dos últimos desenvolvimentos é o Google Maps, que ainda está em versão Beta, mas que não deixa de ser impressionante. A seguir, deixo link para quem tenha curiosidade em ver imagem de satélite da zona onde moro, é engraçado como parece tão diferente vista de cima.
Vou continuar a explorar o nosso país visto de satélite.
A manifestação do passado sábado mostrou algo que não me surpreende: o número de seguidores dos movimentos de extrema-direita não vai além de algumas centenas e, por isso, estes movimentos estão muito longe de alcançar o peso que já têm no resto da Europa. O preocupante é que, na sequência dos acontecimentos dos últimos dias, é cada vez mais frequente ouvir expressões como: "eles não querem trabalhar", "eles são mais racistas do que nós" e tantas outras em que a expressão eles é sempre utilizada para designar pessoas de pele mais escura. Acho que mais perigoso do que as acções da meia dúzia de pessoas que pertencem a organizações de extrema-direita, é o racismo de milhões de portugueses, que não compreendem que esta atitude só alimenta um circulo vicioso que é difícil prever onde vai terminar.
Já aqui escrevi que a coerência per si não me diz muito, prefiro quem muda de opinião muitas vezes, do que quem se mantém toda a vida com uma opinião errada.
A minha admiração pelo Dr. Cunhal não tem a ver com o facto de ele se ter mantido fiel a uma ideologia toda a sua vida, tem muito a ver com o facto dessa ideologia defender a diminuição das desigualdades sociais. Numa altura em que uns deputados medíocres protestam porque, depois de oito anos de Parlamento, vêm agora gorada a sua expectativa de terem uma subvenção vitalícia, é bom comparar estes políticos com o recém-falecido Álvaro Cunhal, um intelectual que abdicou da vida cómoda por uma luta que o levaria a 12 anos de prisão, uns quantos no exílio, sem esquecer as torturas da PIDE.
Quer se goste das suas ideias, quer não, fazem falta à política portuguesa pessoas com o carisma de Álvaro Cunhal, Mário Soares, Sá Carneiro, Freitas do Amaral. Infelizmente já se percebeu que a nova geração de políticos dificilmente terá pessoas com esta qualidade!
Poucos meses depois de ser eleito com a promessa de não aumentar os impostos, e depois de ter criticado duramente o PSD por os ter aumentado quando tinha prometido reduzi-los, o governo PS decide mesmo aumentar os impostos.
Não ponho em causa a necessidade deste agravamento de impostos, só acho que o Engº Sócrates, depois de ter afirmado repetidamente que não subiria os impostos, não poderia agir desta forma. Se visse que o aumento de impostos era inevitável, só tinha que apresentar a demissão e, caso pretendesse, apresentar-se novamente a eleições com um programa que contemplasse estas medidas. Agir de outra forma, é gozar com os cidadãos que ainda se dão ao trabalho de votar.
Quanto à medida de aumentar a idade de reforma dos funcionários públicos para os 65 anos do regime geral, não tenho nada a opôr, desde que o mesmo seja feito para os deputados, detentores de cargos públicos, juízes e todas as outras classes que dispõem de regimes vantajosos.
O nosso Presidente da República diz que os agentes da GNR deviam andar à paisana, porque quando os automobilistas percebem que se tratam de agentes da GNR reduzem a velocidade.
Eu posso estar a ver isto mal, mas isso não é bom? Não é isso que se pretende com a prevenção?
Estou muitas vezes em desacordo com o patrão da Sonae, mas tenho que concordar com uma afirmação que ele proferiu este fim-de-semana:
"O conhecimento é um bem que se amortiza muito depressa."
Daqui a poucas horas vai decorrer o casamento entre o Príncipe Carlos e Camila Parker-Bowles. O casamento até irá ser transmitido nos principais canais norte-americanos, mas não vai ter a audiência global que teve o primeiro casamento do herdeiro da coroa britânica.
No entanto, para mim, este é que é o verdadeiro casamento de sonho. O que dizer de um amor que sobrevive 30 anos a pressões da família, perseguições da comunicação social, deveres reais, casamentos, filhos,...?
Acho que este casamento é a prova de que o Amor pode mesmo ser para sempre. Um final feliz para uma bela história de amor.
Nesta altura em que as atenções do mundo estão todas viradas para o funeral do Papa João Paulo II, que alguns já apelidam de figura mais importante do século XX, talvez seja a altura de conhecer outro líder religioso, que em Portugal nunca teve mais do que uma pequena parte da atenção mediática concedida a João Paulo II. Falo de Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama, figura máxima da religião budista.
Quando se diz que este Papa foi o primeiro líder espiritual a promover o encontro inter-religioso, talvez fosse importante recordar que ainda no tempo do Papa Paulo VI, o 14º Dalai Lama fez questão de se encontrar com ele no Vaticano, da mesma forma que pouco depois da eleição de Karol Wojtyla como Papa, insistiu em encontrar-se com ele, o que acabaria por fazer por diversas vezes. Da mesma forma encetou contactos com os líderes de outras religiões (anglicanos, judeus, muçulmanos, hindus).
A forma como sempre defendeu uma solução pacífica baseada na tolerância e respeito mútuo, para resolver o diferendo com a China, tem de ser visto como um exemplo, que lhe foi, aliás, reconhecido com a atribuição do Prémio Nobel da Paz em 1989.
Deixo uma citação livre de um dos ensinamentos de Sua Santidade, o Dalai Lama:
Não acredites em coisa alguma com base na autoridade de mestres e sacerdotes; Aquilo, porém, que se enquadrar na vossa razão, e depois de minucioso estudo for confirmado pela vossa experiência, conduzindo ao vosso próprio bem e ao de todas as outras coisas vivas: A Isso aceitai como verdade.
"Que mundo é este, meu Deus? Gritem, enviem apelos, cartas, e-mails, tudo o que for possível para salvar Schiavo!"
Adivinhem quem escreve este apelo dramático nas páginas do DN? O inimitável Luís Delgado (ok, também poderia ter sido o César das Neves!).
Enquanto estes dois senhores continuarem a escrever para o Diário de Notícias, este jornal vai continuar a ser referência obrigatória para os apreciadores de humor non-sense.
P.S.: Apesar de não concordar com o tom dramático do texto de Luis Delgado, acho que este caso é muito mais delicado do que aqueles em que os pacientes estão na plena posse das faculdades mentais e podem, por isso, expressar claramente o seu desejo de morrer.
Quero deixar aqui a minha sugestão para que, além de leite, as escolas primárias deste país comecem a distribuir chá aos seus alunos.
Talvez assim, diminuisse o número de pessoas que, notoriamente, não ingeriram este precioso líquido na infância!
Hoje, devido à necessidade de chegar a Pombal por volta das 20h, tive de vir de carro para Lisboa. Gosto muito de morar na Margem Sul, mas porque posso utilizar os transportes públicos. Não consigo compreender a razão que leva tantas pessoas a perderem tanto tempo em filas, no pára-arranca constante, quando tenho a impressão que muitos deles poderiam fazer como eu e ir comodamente no comboio a ler uma revista ou um jornal.
Já agora, para que conste, o motivo que me obrigou a trazer o carro para Lisboa foi o espectáculo "Gato Fedorento ao Vivo", que vou ver logo às 21h30 em Pombal.
Uma visita a alguns dos blogs que habitualmente leio, revela-me que cada vez há mais pessoas a oscilar entre os momentos de grande alegria e os períodos de depressão.
Acho que tenho que concordar com uma amiga minha, que diz que a doença deste século é a perturbação bipolar.
Normalmente há várias formas de ver as coisas. Tirando os acontecimentos que são indiscutivelmente bons ou maus, a maior parte são cinzentos.
Quero cada vez mais olhar para o lado positivo das coisas, até porque a roda do destino já diversas vezes me demonstrou que acontecimentos aparentemente negativos podem, no final, revelar-se benéficos.
No outro dia, em pleno debate com José Sócrates, Pedro Santana Lopes disse que tinha um sonho. Só não esclareceu que o sonho era continuar a alimentar o seu ego e continuar a "brincar aos primeiros-ministros" por mais quatro anos. Felizmente os portugueses deicidiram despertá-lo para a realidade.
Eu também tenho sonhos, um deles é viver numa sociedade em que operários não trabalhem no duro durante dez horas por dia, em condições sub-humanas, para receberem por mês o mesmo que os gestores da empresa onde trabalham recebem por dia, mesmo que as suas decisões conduzam à falência. Sonho com a altura em que os avanços na produtividade se reflictam na diminuição da idade de reforma, e que em consequência as pessoas possam reformar-se ainda com saúde e disponibilidade para transmitirem os seus conhecimentos às gerações mais novas. Sonho com uma sociedade em que os casais possam ter os seus filhos, sem terem de fazer complicadas engenharias financeiras para pagar creches. Sonho com um mundo em que as escolas em vez de promoverem a competição, estimulem a cooperação. Sonho com um mundo em que as pessoas não sejam julgadas pela cor, religão ou opção sexual
Tenho estes e outros sonhos, e diz muito da condição humana, que em pleno século XXI, estejamos tão longe de os atingir.
Baixa abstenção e maioria absoluta para o PS.
Acho que é isto que se chama vontade de mudar!
Quem acredita que uma maioria absoluta é melhor para o país, deve defender que funciona melhor um casal em que apenas um dos elementos decide tudo.
Eu acredito que na política, como em tudo o resto na vida, o diálogo e a cooperação proporcionam melhores resultados. Acredito mesmo que duas cabeças pensam melhor do que uma.
A pouco mais de 30 horas do encerramento das urnas, adianto já o meu comentário aos vencedores e vencidos nas próximas eleições legislativas.
Vencedores
José Sócrates - Com algum mérito dele e com muito demérito do seu principal adversário, vai ser o grande vencedor destas eleições. A medida da vitória depende da concretização (ou não) do objectivo da maioria absoluta. Resistiu bem à campanha negra, e conseguiu transmitir uma imagem de serenidade ao longo de toda a campanha. Quem lhe acusa a falta de garra, esquece que foi com uma atitude muito parecida à de Sócrates que Cavaco Silva conquistou duas maiorias absolutas. Vai ter um grande teste quando apresentar o seu governo, conseguir que Vitorino aceitasse um lugar ministerial era um trunfo importante. Caso não consiga a maioria absoluta, é indispensável que aprenda com o mau exemplo de Guterres, e em vez de comprar o(s) voto(s) que lhe falta(m), seja capaz de estabelecer diálogos que permitam algumas das transformações que Portugal necessita.
Francisco Louçã - Outro dos grandes vencedores destas eleições. Graças a ele, o Bloco mantem o seu crescimento e, embora eu não acredite que seja já nestas eleições a terceira força partidária, acho que poucos duvidam que crescerá nesse sentido. Dos actuais 3 deputados, o Bloco de Esquerda passará, no mínimo, para o dobro (3 por Lisboa, 2 pelo Porto e 1 por Setúbal), mas penso que poderá ainda conquistar mais um, dois ou até três deputados. A dimensão da sua vitória será ainda maior se o PS não conseguir a maioria absoluta, o que deixará o Bloco como o seu parceiro natural.
Jorge Sampaio - Reagiu da melhor forma às críticas que lhe foram lançadas pelos responsáveis dos partidos do governo (com o silêncio). Os resultados de amanhã, vão certamente demonstrar que o povo português não se revia na maioria parlamentar do PSD-PP e que o Presidente da República não é eleito só para fazer umas viagens e presidir a actos protocolares.
Paulo Portas - Estas eleições confirmam o que eu já achava: este homem além de inteligente e competente, é um político muito bom. Um estratega, como há poucos na nossa política, conseguiu demarcar-se do PSD sabendo que este não teria grandes resultados. Vai ficar, provavelmente, abaixo dos 10% que pediu, mas um resultado muito próximo do obtido nas últimas eleições legislativas pode considerar-se uma vitória, para um partido que fez parte de um Governo tão impopular. Caso o PS não conquiste a maioria absoluta, irá certamente tentar que o PS negoceie com o PP eventuais apoios nas alturas-chave. Caso o conseguisse, seria o grande vencedor destas eleições.
Assim-assim
Jerónimo Sousa - Foi a grande surpresa desta campanha, não pelas propostas que apresentou (quais?), mas essencialmente pela simpatia. Ao contrário dos outros candidatos, com um discurso muito estudado, Jerónimo preferiu a espontaneidade, abandonando as cassettes do tempo de Cunhal e Carvalhas. Não é certamente o melhor político dos 5, mas granjeou uma simpatia que poucos suspeitavam possível, em especial de quem era conotado com a área mais ortodoxa dos comunistas.
Vencido
Pedro Santana Lopes - Quando se achava que os seus meses de primeiro-ministro tinham sido muito maus, PSL demonstrou que se consegue descer sempre mais baixo. O estilo de menino queixinhas fica muito mal a um candidato a primeiro-ministro, mas muito pior a quem exerce o cargo. Não deixa saudades como primeiro-ministro e estes meses talvez lhe tenham comprometido as aspirações presidenciais. Para quem defendia que ele era muito bom em campanhas eleitorais, estas eleições demonstram que às vezes, o que parece não é! Na noite de dia 20 vai tentar relativizar a sua derrota, lembrando os resultados das europeias, para defender que assumiu a liderança com menos do que os cerca de 30% que irá obter.
Para terminar, aqui deixo a minha previsão de deputados, feita com base no histórico das últimas eleições, bem como nas conversas que tenho ouvido.
PS - 117 deputados (maioria absoluta só garantida com os votos da emigração)
PSD - 81 deputados
PP - 13 deputados
CDU - 12 deputados
BE - 7 deputados
Ontem um amigo meu mandou-me a seguinte mensagem no MSN Messenger: Acredito que PSD+PP>PS.
Esclareço que não foi o Luís Delgado (que aliás não conheço, embora, como já aqui escrevi, o admire imenso pelo sentido de humor). Isto significa que há pelo menos dois adultos que acreditam mesmo nisto. Alguns podem estar a pensar que estou a errar nas contas, uma vez que o Santana Lopes também acredita. Não, não me esqueci disso, daí ter posto a palavra adultos.
Não assisti, na noite de terça-feira, ao debate que juntou os líderes dos principais partidos às eleições legislativas. Estou a ver agora a repetição na RTPN. Se tivesse dúvidas antes deste debate (e não as tinha), o meu voto no Bloco de Esquerda tinha ficado agora decidido.
Por sugestão do Barnabé fui consultar o que a wikipedia tem a dizer sobre o nosso primeiro-ministro. Felizmente só puseram algumas das gaffes!
Não foi uma vitória por knock-out, mas foi uma vitória indiscutível do Engº Sócrates. Fica por perceber porque razão o nosso primeiro-ministro insistia tanto nestes debates.
Bem sei que não sou o Freitas do Amaral (mesmo que me possam acusar de um percurso político semelhante, devido ao meu passado na JSD), no entanto não queria deixar de fazer uma singela declaração de voto.
Nas próximas eleições legislativas vou votar uma vez mais no Bloco de Esquerda, faço-o porque me revejo na maior parte das suas propostas e porque aprecio os seus dirigentes (continuo a achar o Francisco Louçã o melhor político português) e a sua forma de estar na política. Voto no Bloco de Esquerda, porque ao contrário do nosso primeiro-ministro, não acredito que as empresas de sondagens estejam todas erradas e acho que o PS vai ser claramente o partido mais votado. Não achasse isso, e teria de pensar seriamente na hipótese de votar utilmente, porque se acho importante o Bloco de Esquerda reforçar a sua votação, acho decisivo que o PS tenha pelo menos um voto e um deputado a mais do que o PSD. Felizmente, a margem é confortável o suficiente para eu poder votar no projecto político com o qual mais me revejo.
Uma palavra para a CDU. Acho que ao contrário do que eu pensava, Jerónimo de Sousa trouxe um discurso mais arejado à campanha e, tem sido uma agradável surpresa ouvir as intervenções do novo secretário-geral comunista que, não abdicando dos princípios básicos do PCP, tem tido um discurso mais de acordo com os tempos actuais.
A campanha para as próximas eleições legislativas tem sido negativamente marcada pelos boatos. Já todos devem ter recebido por mail as referências que foram publicados num site brasileiro sobre os dois candidatos a primeiro-ministro, um amigo meu, optou mesmo por pôr esta opinião no seu blog. Não discuto a veracidade das insinuações feitas por este jornalista, do qual nunca tinha ouvido falar anteriormente. Confesso que pouco me interessa os amigos, preferências sexuais ou questões similares dos candidatos a primeiro-ministro. Preocupa-me, isso sim, a sua competência e as condições que têm para fazer um bom trabalho, e aqui, apesar de alguma desilusão com algumas hesitações recentes de José Sócrates, continuo a achar que este será melhor primeiro-ministro do que Santana Lopes (como aliás o seriam as principais figuras de ambos os partidos).
Em relação aos boatos, eles surgem muito por causa do desespero do (ainda) primeiro-ministro, o mesmo que critica a "campanha orquestrada" pelas empresas de sondagem, e enquanto diz que não quer levar a campanha para os ataques pessoais, não deixa de mandar as suas farpas, como por exemplo em Braga, em que após um almoço com mulheres afirmou que Sócrates preferia outros colos. Há ainda os cartazes do PSD a questionarem se os portugueses conhecem mesmo José Sócrates... Tudo isto são exemplos de como a política não deve ser feita, e mesmo que não tivesse tido a actuação desastrada a que todos assistimos, só por estas atitudes, acho que Pedro Santana Lopes merecia uma derrota exemplar nas próximas eleições.
Quem só ouve uma versão de uma história, fica (quase) sempre sem o mais importante... a verdade.
Estes dias de férias têm sido aproveitados para descansar, e nem tenho tido vontade de actualizar este blog. No entanto, não podia deixar de fazer uma breve referência à conferência de imprensa que ontem reuniu o Primeiro-Ministro e o Ministro das Finanças. Foi divertido ver o Ministro das Finanças culpar o anterior governo (do qual ele fazia parte), pelas dificuldades no cumprimento do défice deste Orçamento, esquecendo que poderia ter apresentado um Orçamento Rectificativo, ou pelo menos poderia ter referido estas falhas mais cedo. Mais engraçado, só ver o ainda Primeiro-Ministro, a pôr as culpas nos governos PS. Será que se ele fosse Primeiro-Ministro até 2014, como disse ser a sua vontade, continuaria com o discurso das responsabilidades históricas até essa data?
Li esta história, e confesso que não fiquei muito surpreendido. Que me perdoem os bons profissionais da segurança, mas quando vou a algumas lojas ou bares, não consigo deixar de ficar com a sensação de que muitos dos seus seguranças, gostariam de ter uma vida mais parecida com as personagens dos filmes do Steven Seagal ou do Jean Claude Van Damme, e deve ser muito frustrante passar o dia a ver se miúdos levam um CD, ou a revistar homens à entrada de um bar. Por isso, qualquer pretexto pode ser suficiente para um pouco de acção.
Hoje estive afastado da internet por diversas razões, e não pude, por isso, assinalar aqui a notícia do dia: depois de 4 meses de governo chefiado por Santana Lopes que não deixa saudades a ninguém, o Presidente da República decide (finalmente) dissolver a Assembleia da República e convocar eleições.
Para quem queria ser primeiro-ministro até 2014, Santana Lopes vai sair de São Bento bem mais cedo. Resta-lhe a consolação de que assim poderá voltar a pensar na candidatura presidencial.
Depois de nas primeiras semanas os primeiros prémios não terem saído a apostadores portugueses, eis que sai finalmente o primeiro prémio do Euromilhões em Portugal. Não fui eu o vencedor, aliás não costumo jogar em jogos deste tipo, e tenho a certeza que este prémio fará mais pela divulgação do concurso entre nós, do que toda a publicidade já feita, ou até mesmo do que a Marisa Cruz.
Quanto ao vencedor do prémio de mais de € 43.000.000, tal como disse uma amiga minha, quando soube que tinha saido a um apostador português, acho que já se pode reformar.
Iniciou-se ontem, em Almada, o congresso do PCP, em que se vai dar a mudança de líder do partido: a Carlos Carvalhas vai suceder Jerónimo de Sousa. Acho que este congresso não tem tido a cobertura mediática que merecia, porque embora o peso do PCP já não seja o que era há uns anos, em que ainda se via a força do PC, a verdade é que a mudança de líder nos comunistas é tão rara, que bem merece ser notícia. Eu com os meus 30 anos só tinha conhecido dois líderes do PCP (número que seria igual se tivesse 40 anos). Só por comparação, assim de repente, lembro-me de uns dez líderes do PSD no mesmo período...
Se depois de 30 anos de liderança de Álvaro Cunhal, muitos esperavam que Carlos Carvalhas trouxesse a renovação que a idade de Cunhal já não parecia permitir, a verdade é que estes anos de liderança acabam por ficar marcados, na minha opinião, pela perseguição aos que ousaram apontar os erros do partido, e que tentaram transformá-lo num partido moderno, adaptado à realidade actual. Foi também na liderança de Carlos Carvalhas que o PCP perdeu a força que tinha junto da juventude, que se revê cada vez mais no discurso do Bloco de Esquerda, que hoje é, claramente, a terceira força política entre os jovens.
Se as expectativas em relação a Carvalhas eram muitas e parece-me que ele não as cumpriu, talvez aconteça o contrário com Jerónimo de Sousa, de quem ninguém está à espera que possa trazer grandes transformções, e quem sabe, não será ele o impulsionador da renovação de que o PCP bem necessita para continuar a desempenhar um papel importante no espectro político português.
Assinala-se hoje, dia 17 de Novembro, o Dia Mundial do Não-Fumador, um dos poucos dias dedicado a um grupo a que eu pertença. Este dia, é também um pretexto para retomar o debate sobre a proibição do fumo nos locais públicos (incluíndo os locais de trabalho), proibição que parece inevitável, seguindo o exemplo de outros países europeus. Mas este assunto não está isento de polémica, enquanto uns vêm nesta medida uma cruzada contra os fumadores inspirada no moralismo americano, outros compreendem que estamos perante uma medida de higiene pública, que beneficiará todos, quer fumadores, quer não-fumadores. Não se trata de proibir o tabaco, trata-se apenas de impedir que o vício de uns resulte em prejuízos para outros.
Para mim, que não sou um militante anti-tabagismo e que, à excepção das ocasiões em que estiveram presentes grávidas ou crianças, nunca me opus a que os meus amigos fumadores fumassem em minha casa, esta parece-me uma medida justa, que quando for aplicada só pecará por tardia.
Não sei se já repararam nos cartazes do “El Corte Inglês”, referentes aos períodos promocionais. Há as “semanas” que duram quinze dias, a “quinzena” que dura um mês inteiro e os meses que duram mais de dois…
Agora está a decorrer mais uma promoção, com o nome de “8 dias de ouro”, e claro, quando reparei nos dias em que decorria esta promoção, verifiquei que era entre 6 e 20 de Novembro, ou seja, os “8 dias”, afinal são 15 …
Desde que reparei nesta curiosidade que me interrogo de quais os motivos destas designações que não têm a ver com a duração das promoções. Dado que não acredito que os espanhóis não consigam fazer contas tão simples, deve tratar-se de um truque de marketing. E a ser o caso, posso garantir que comigo resulta. Embora não faça compras no El Corte Inglês de Lisboa há muito tempo, sempre que vejo um cartaz, não consigo deixar de olhar para as datas…
Hoje, a minha esperança no futuro da humanidade baixou bastante.
Realizam-se hoje as eleições norte-americanas, o assunto é incontornável e para todo o mundo estas eleições vão ser de uma importância enorme. Não é só a atitude do actual presidente em toda a questão da guerra do Iraque, o mais importante, para mim, foi a forma como George Bush tratou o Protocolo de Quioto, um acordo que era apenas um primeiro passo, no sentido de tentar preservar o nosso meio ambiente e que ele recusou ratificar. Até poderiam ser iguais em todas as outras matérias, mas só o facto de John Kerry anunciar que, quando for eleito presidente, irá ratificar o Protocolo de Quioto, é motivo, mais do que suficiente, para eu considerar que a vitória de Bush seria uma grande derrota para a humanidade.
Fui na passada quinta-feira ver o filme "Diários de Che Guevara", um filme que retrata as peripécias da viagem pelo continente sul-americano, efectuada pelo jovem "Che" Guevara e o seu amigo Alberto Granado. Recomendo o filme, mas este post não é a ele dedicado.
Se compararmos o percurso do jovem Che Guevara, que prestes a terminar o seu curso de medicina, decide percorrer um continente e conhecer o sentir e os problemas do povo, com o dos políticos portugueses da "nova geração", percebemos porque lhes falta tanta qualidade. O percurso normal do político do pós-25 de Abril é: aos 12, 13 anos entra na juventude partidária, provavelmente aquela onde já estão os amigos, ou a do partido onde o pai vota. A partir daqui, começa o jogo de influências, o "vota-em-mim-agora-que-depois-eu-voto-em-ti", começa tamém a promessa de tachos, que poderão passar por um lugar na Associação de Estudantes do Liceu, ou um cargo na estrutura partidária, porque nesta fase, ainda não há lugares de administrador de empresa pública para repartir. Depois é a entrada na Universidade, o curso não é importante, mas o título de Dr. fica sempre bem. Com alguma sorte, surge nesta altura o convite para integrar as listas de deputados, isto significa que o jovem político poderá conciliar os bancos da faculdade com as, provavelmente, bem mais cómodas cadeiras da Assembleia da República. Nesta altura, ele será já um especialista na retórica e na arte de conquistar votos.
Contacto com o país real? Claro que sim, na altura das eleições, nas visitas aos mercados, enquanto distribui autocolantes, aventais e bandeirinhas.
Alguém acredita que um político com este percurso, poderá ter a mesma consciência social, a mesma paixão que outro, que como Che Guevara, não faz da política uma carreira, mas está na política por acreditar que pode contribuir para um mundo melhor?
Já algumas vezes defendi neste blog uma maior aposta do Estado nos transportes públicos. Além desta ser a solução economicamente mais racional, é essencialmente a menos poluente. E é por achar que este é mesmo o caminho, que fico contente com a expansão do serviço do comboio da ponte até Setúbal, já a partir do próximo dia 6. É verdade que as alterações provocadas por esta extensão, vão levar a uma redução do número de comboios e a uma maior dificuldade em obter lugar sentado, mas o futuro do nosso meio ambiente é bem mais importante que a minha comodidade, por isso fico contente com esta medida, bem como todas as que incentivem as pessoas a deixarem as suas viaturas e a utilizarem cada vez mais os transportes públicos.
Faz hoje 3 anos, lembro-me como se fosse ontem...
Será que o mundo alguma vez será um lugar seguro?
Confesso que tento adoptar a política racional e ecológica de preferir os transportes públicos sempre que possível. No entanto, há dias em que questiono esta minha opção, nomeadamente nos dias em que acordo de madrugada para apanhar em Pombal um comboio que me permita chegar a Lisboa por volta das 9h30, e estou uma hora parado, sem que os passageiros percebam a que se deveu a paragem, e apenas recebam um envelope para enviar à CP para receber uma "compensação", seja lá isto o que for. Para concluir a minha aventura com transportes públicos, no final da tarde, quando me dirigi para o metro para ir apanhar o comboio que me levasse até à margem sul, depois de 30 minutos parados (que me pareceram muito menos porque estava entretido a ler...), começo a desconfiar que algo estava errado, nessa altura ouço o aviso de que a circulação na linha azul estava interrompida, sem hora prevista para retomar a marcha e, mais uma vez sem indicação do motivo da paragem. Lá acabei por apanhar outro metro, e mesmo dando uma volta um pouco maior acabei por chegar a casa.
Mais do que as 2 horas que perdi hoje devido a estas avarias, o que me chateou foi a falta de consideração para com os clientes, evidenciada quer pela CP, quer pelo Metro, ao não justificar os motivos que provocaram as paragens e fazer uma estimativa do tempo que demoraria a retomar a normalidade. Com atitudes destas, é difícil esperar que mais pessoas prefiram a utilização dos transportes públicos em detrimento da viatura própria.
Há uns tempos imaginava a mulher ideal da mesma forma que muitos homens imaginam: alta, elegante, inteligente, carinhosa, simpática, divertida, etc.
Hoje, acho que há uma qualidade que é mais importante do que qualquer uma daquelas: a autenticidade. Poderá ter mau feitio e um hálito horrível quando acorde, roncar de vez em quando, achar chata uma peça de teatro que todos adoram, ter gestos pouco femininos, usar expressões pouco próprias a uma senhora, ter uma barriga proeminente, cara torta, pode até não achar piada ao "Gato Fedorento" ou ter os seus "ataques de flatulência", mas se for autêntica nisto, estará mais próxima do meu ideal de mulher, do que outra, com um ar de princesa, que acorde de manhã como quem saiu do salão de cabeleireiro, que diga as coisas certas, que nunca se irrite, mas em que isto soe a falso.
Se houve coisa que aprendi nos últimos tempos é que a autenticidade é uma qualidade muito importante, e é tão pouco valorizada nos dias de hoje.
Quase todos passam por fases em que decidem mudar. As mudanças são fundamentais na nossa vida, e coitados dos que se recusam, em todas as ocasiões, a mudar o que quer que seja. Aquilo que alguns chamam coerência, não é, muitas vezes, mais do que recusar a aprendizagem que a vida nos proporciona.
Mas um período de mudanças tem os seus riscos, pode levar os outros a não reconhecer a nova pessoa e, bem mais grave do que isso, pode levar mesmo a que a própria pessoa não se reconheça. E há coisa pior do que uma pessoa que já não se reconhece?
A revista "Sábado" há algumas semanas atrás publicou um interessante artigo sobre a mentira. Nele constava a lista das 10 mentiras mais pronunciadas. Sabem qual era a primeira? "Eu nunca te menti!"
"...constato que vou ter a governar-me na Câmara de Lisboa alguém que nem sei quem é; a primeiro-ministro alguém que apenas se candidatou à Câmara de Lisboa; na presidência da Comissão Europeia alguém que foi o maior derrotado das eleições europeias, alguém que na hora decisiva se pôs ao lado da "arrogância e do unilateralismo" americano contra a Europa e alguém que jurou aos portugueses que não fugia, como o seu antecessor. E na Presidência da República alguém que se esqueceu de quem e porquê o elegeu. Ou seja: ninguém, de facto, me representa e, todavia, eu votei em todas as eleições. Entre mim e esta democracia há qualquer coisa que não bate certo. Ou será entre mim e o "patriotismo moderno"?"
Miguel Sousa Tavares, Público 2004-07-16
Para entender um pouco mais do percurso político do nosso primeiro-ministro, aconselho a leitura da revista "Visão" da última semana, ou então este blog.
"Enquanto houver um desempregado em Portugal, não durmo descansado", Pedro Santana Lopes, primeiro-ministro português em entrevista à SIC
Há cerca de um ano atrás, nos primeiros dias de vida deste blog, escrevi sobre o Índice de Desenvolvimento Humano. Na altura Portugal estava classificado em 23º lugar. Hoje foi divulgado o relatório deste ano, que considera dados de 2002, onde Portugal está num 26º lugar, tendo sido ultrapassado por Grécia, Hong Kong e Singapura.
Eu tenho um plapite que no próximo ano, quando forem divulgados os dados referentes a 2003, provavelmente nem estaremos nos 30 primeiros... mas daqui a um ano falamos!
Nas eleições legislativas não se vota no primeiro-ministro, a prova disso sáo os cartazes do PSD na última campanha:

Qualquer um consegue ver que se trata não de escolher o futuro primeiro-ministro, mas sim eleger uma lista de deputados!
Não concordo com a decisão de Jorge Sampaio, no entanto, não posso deixar de assinalar o que me parece ausência de fair play por parte de alguma esquerda. Fica a sensação que respeitariam qualquer decisão do presidente, com uma única condição, que esta decisão fosse a mesma que eles preferiam...
Da mesma forma, os dirigentes do PSD e do CDS-PP, que tanto afirmam respeitar a decisão do presidente, seriam, certamente, os primeiros a criticá-lo caso este tomasse um caminho diferente do deles.
Uma palavra para Ferro Rodrigues, que sai da liderança do PS, não à primeira dificuldade como alguns afirmam, mas depois de uma intensa campanha difamatória, à qual ele não só resistiu, como conseguiu ainda o maior resultado eleitoral na história do PS.
Depois do tabú, vamos agora esperar pela equipa governativa de Santana Lopes.
Depois do Euro-2004, as conversas de café estão agora centradas na possibilidade de realização de eleições antecipadas. Enquanto uns, os eleitores do PSD e PP, defendem um governo chefiado pelo Dr. Santana Lopes, os outros, os eleitores dos outros partidos, defendem que um governo liderado pelo actual Presidente da Câmara Municipal de Lisboa não tem legitimidade. O mais engraçado nestas discussões de café é que passa a sensação que a solução que cada um defende seria a contrária, se tivesse sido um primeiro-ministro do PS a abandonar o cargo. Isto é o sinal de que os portugueses olham para os partidos como para os clubes de futebol, defendem-nos quase cegamente, independentemente das decisões que tomam.
É claro que nem todos são assim, veja-se o caso do Dr. Pacheco Pereira, que tem publicamente criticado a forma como decorreu todo este processo, daí ser considerado "esquisito" por tantos, talvez porque tenha esse hábito estranho de pensar pela própria cabeça.
Eu por mim, confesso que já sinto saudades de outras conversas: "qual é o melhor ponta-de-lança, o Pauleta ou o Nuno Gomes?", "o Rui Costa deve ou não ser titular?". Sem dúvida que se aprendia mais com estas discussões, do que com a troca de argumentos entre os defensores das eleições antecipadas e os que são contra. Para esta conversa já não tenho pachorra!
Assinala-se amanhã o Dia Mundial do Tibete. O objectivo deste dia é alertar para a situação deste país, invadido há mais de 50 anos, e que tem visto a sua cultura ser destruída de forma brutal pela China.
É sabida a importância que a China assume no actual contexto internacional, é um mercado que tem crescido de forma impressionante, e por isso, os países mais desenvolvidos, incluíndo aquele que se arma em defensor dos oprimidos lutando contra todas as injustiças, nada fazem para a libertação do povo tibetano e para a preservação da sua cultura milenar.
As estimativas apontam para que estes 50 anos já se tenham traduzido em 1,2 milhões de mortos tibetanos, bem como 6000 mosteiros destruídos. São números impressionantes, em especial porque o povo que tem sofrido estas atrocidades, baseia a sua cultura na não-violência e na harmonia entre os seres.

Tudo indica que o Dr. Durão Barroso, de partida para liderar a Comissão Europeia, já decidiu pelos portugueses quem será o seu substituto. Acha ele, que a legitimidade que conquistou nas urnas pode ser transmitida.
Eu acho que os portugueses têm o direito de decidir se concordam ou não com esta escolha e, neste momento, não me parece que o Dr. Santana Lopes, ou qualquer outro político do PSD, fossem escolhas da maioria da população.
Parece cada vez mais provável que Durão Barroso se torne o próximo Presidente da Comissão Europeia. Acho que é importante para o país ter portugueses em lugares importantes, e neste momento, é difícil pensar em lugar mais importante na estrutura da União Europeia. Tenho é o palpite que Pedro Santana "Outdoors" Lopes será pior primeiro-ministro que Durão Barroso, por outro lado, não é fácil ser pior...
Esta manhã, na viagem de metro até ao trabalho, encontrei um grupo de professoras que acompanhavam os seus alunos (aparentemente do 9º ano) numa visita de estudo. Até aqui tudo bem, é uma situação perfeitamente normal, já várias vezes encontrei no metro grupos de alunos e professores em visitas de estudo. O que mudou nesta vez foi o discurso destas professoras, que com os alunos ao lado, iam debitando um discurso contra os imigrantes de leste, que deveriam ser todos expulsos para o seu país, que se fosse noutro país já cá não estavam... O discurso não é original, muitos pensam desta forma e alguns até o dizem. Agora ver um grupo de professoras, a exprimirem este discurso racista em frente dos seus alunos, faz-me temer pelo futuro da nossa sociedade. Se já desconfiava que muitos jovens recebiam este discurso em casa, pensava que por parte dos professores havia o bom senso de não incitar atitudes xenófobas. Enganei-me!
Além da euforia que se vive com a aproximação do jogo inaugural do Euro 2004, as notícias passam também pelas ameaças de greve, que vão surgindo um pouco por todos os sectores. Há uns dias foram os trabalhadores dos hotéis a anunciar a sua intenção de fazer greve durante o Europeu, caso não lhes fosse pago um subsídio extra para compensar o acréscimo de trabalho. É claro que os patrões não acham isso justo. Triplicar o preço de quartos, e não partilhar este acréscimo de lucros com os funcionários, isto sim, é a justiça na concepção do empresário português.
Assinalo uma iniciativa do novo governo espanhol que julgo merece ser realçada. Não falo da retirada do contigente militar espanhol do cenário de guerra no Iraque, embora esta me pareça também uma decisão acertada, mas da descida do IVA sobre os produtos culturais. O IVA que incide sobre os livros irá passar a 1% (comparar com os 5% em Portugal) e o que incide sobre a música passará a ser de 4% (em Portugal pagamos 19%...).
Os governantes portugueses bem podem dizer que apoiam a cultura, mas em política, mais importante do que as palavras são os actos...
De acordo com o Dicionário, uma definição de terrorismo é "modo de impor a vontade por meio da violência e do terror". Olhando para esta definição, alguém duvida que poderíamos enquadrar no grupo de terroristas não só a Al-Qaeda, os suicidas palestinos, a ETA, mas também o governo americano e o governo israelita. Ou será que o conceito não se aplica aos que são nossos "amigos"?
Eu continuo à espera de um mundo sem terrorismo, seja ele ocidental, muçulmano, de esquerda, de direita, católico ou protestante. Mas a espera promete ser longa...
O polémico filme "A Paixão de Cristo", realizado pelo americano Mel Gibson tem o mérito de ter posto as pessoas a falar mais sobre a religião. É engraçado que actualmente a religião se transformou num assunto tabu, em especial numa sociedade como a nossa, maioritariamente pertencente a uma religião - os que não a professam acabam por preferir não ferir susceptibilidades, enquanto que os mais fiéis preferem não a discutir, por forma a não a porem em causa.
Eu, que acho que as religiões têm tido uma importância tão grande na História Mundial (basta pensar nas guerras que foram travadas por pretextos religiosos de que ainda hoje temos o triste exemplo da situação no Médio Oriente), sempre falei abertamente sobre as minhas crenças, ou talvez deva dizer não-crenças. Não com a intenção de provocar os crentes, mas tão só com o intuito de tentar compreender o que pode levar alguém a acreditar em factos tão inverosímeis.
Na sequência de uma conversa de café desta tarde, decidi investigar o que definia um católico. Com alguma pesquisa cheguei a uma definição consensual: é alguém que acredita no dogma católico. E o que é o dogma católico? São as verdades fundamentais que não podem ser alvo de discussão dentro da religião católica, ou seja, para se ser católico "basta" acreditar nestas verdades, que segundo um site brasileiro que consultei são "apenas" 43! Entre elas está a infalibilidade do Papa e da Igreja, a existência do Inferno, para onde vão as almas dos que morrem em pecado e outras tão "inquestionáveis" como estas...
Ou seja, hoje descobri, não só que não sou católico (já suspeitava), como que teria de mudar muito a minha forma de ver o mundo para o ser. Vou no entanto continuar a admirar os que convictamente defendem este dogma católico.
Depois de ter apoiado os Estados Unidos na sua invasão ao Iraque, baseada na existência de armas de destruição maciça que nunca apareceram, o governo espanhol liderado pelo PP decidiu pôr as culpas dos horríveis atentados de quinta-feira na ETA, para assim afastar a sua própria responsabilidade pelo apoio "cego" que deram aos americanos. Os espanhóis acharam que já chegava de mentiras e decidiram dar a vitória ao PSOE.
Há um país onde as mentiras dos políticos são castigadas, se calhar temos mesmo algo a aprender com nuestros hermanos.
Não, o meu calendário não está errado! Bem sei que já passou o dia 14 de Fevereiro, mas dado que ontem não tive oportunidade de escrever, faço-o hoje.
O dia 14 de Fevereiro, mesmo na altura em que namorava, nunca teve um significado especial para mim, muito menos nos últimos anos. No entanto, ontem aproveitei o final da manhã para dar um passeio pelas ruas de Lisboa, e confesso que gostei de ver muitos casais com flores, de mãos dadas, com um ar apaixonado... Bem sei que alguns podem dizer que este dia só serve para "alimentar" o comércio, mas se a par disso, for possível aumentar as provas de carinho entre os casais, acho que vale a pena.
O Presidente da Câmara Municpal de Lisboa anunciou a intenção de apresentar uma proposta no sentido de banir qualquer tipo de publicidade exterior na Praça Marquês de Pombal, com o objectivo de "limpar" a principal praça da cidade. Surpreendente esta intenção, vinda de Pedro Santana "Outdoors" Lopes, o mesmo que tem enchido o Marquês de Pombal (e o resto da cidade de Lisboa) de cartazes de auto-promoção.
No início de qualquer relação, seja ela de amizade ou amorosa, poucas coisas são tão incómodas como o silêncio. Quem não se viu já na obrigação de falar sobre o tempo, ou outro assunto semelhante, para quebrar um período de silêncio? Acho que um dos sinais de maturidade de uma relação é, precisamente, a altura em que os silêncios deixam de ser vistos como incomodativos, e passam a ser devidamente apreciados. È nesta fase que se descobre que o silêncio pode dizer tanto, e por vezes até mais, do que uma conversa.
Espero que a relação deste blog com os seus leiotres assíduos (se os houver!) já tenha atingido esta fase de maturidade, por forma a que me perdoem os dias em que não há posts novos e, quem sabe, até a apreciar estes momentos de silêncio.
Esta gaffe foi detectada pelo blog "Sous les pavés, la plage", mas não resisto a transcrevê-la aqui. No portal do Governo, pode ler-se que a Resolução do Conselho de Ministros que aprova a Iniciativa Nacional para a Banda Larga, define o seguinte objectivo para 2005:"O número de alunos por computador nas escolas será superior à média europeia".
Ora aqui está um objectivo que já foi atingido, e que a manter-se o desinvestimento na educação será largamente ultrapassado.
Já poucos duvidam que estamos a viver um período de crise e, na minha opinião, mais grave do que a crise económica que atravessamos e que é temporária, é a crise de confiança, essa bem mais difícil de superar.
Normalmente é nestes períodos de pessimismo que, face às dificuldades, as pessoas se deixam seduzir por discursos populistas e xenófobos. Foi por isso uma (agradável) surpresa constatar que na última sondagem publicada pelo Diário de Notícias, o CDS-PP tinha caído para menos de 2% das intenções de voto.
Bem sei que é apenas uma sondagem, mas deixa-me bem mais optimista em relação ao nosso futuro.
No post anterior referi a importância, a meu ver, excessiva que os portugueses dão à aparência. O importante não é ser, é mesmo parecer que se é. Tudo tem de contribuir para a imagem que se quer transmitir: o carro, o telemóvel, o namorado ou namorada, o local onde se passa férias...
Em relação às viagens então, não há que enganar, há que visitar o maior número de locais exóticos ou que estejam na moda, para em qualquer conversa de amigos se poder utilizar o famoso: "eu já lá estive...", que deixará roídos de inveja os que ainda não tiverem coleccionado aquele "cromo" nas suas "cadernetas" de viagens...
Esta semana tive uma reunião com colegas de trabalho e, como habitualmente, a forma normal de se referir a um colega licenciado passou pela utilização do "dr.", que na linguagem oral dá direito a ser doutor e tudo.
Confesso que sempre fui adepto da frase: "doutor sem ser doutorado só médico ou advogado" e, devo dizer que mesmo sabendo que não rimava, excluía os advogados deste grupo, limitando o tratamento por doutor aos médicos e, naturalmente, aos poucos doutorados que temos. A ideia que tenho é que é assim nos países um pouco mais desenvolvidos do que nós, mas em Portugal, em que o importante é parecer, todos querem ser tratados por doutores, e mesmo que a licenciatura tenha sido "adquirida" numa universidade de "vão de escada", ninguém dispensa o "doutor" e acham que é uma falta de respeito os que utilizam a forma "Sr." ou "Sra." no tratamento.
É claro que este é apenas um dos indícios do nosso "provincianismo" e, como tantos outros, demorará algum tempo a alterar. Eu vou continuar a achar estranho que, numa reunião entre colegas o tratamento se faça por "dr. X" e "dra. Y", faz-me pensar que estou num congresso de medicina...
Já lá vão quase dois anos desde que a coligação PSD/CDS-PP assumiu o governo de Portugal. Por certo todos se lembram do discurso dos primeiros meses, do enfâse no estado catastrófico deixado pelos governos liderados pelo Engº António Guterres. Acho que é mais um exemplo de uma mentira, que à custa de ser tantas vezes repetida, se tornou, para muitos portugueses, uma verdade. Na edição de ontem da revista "Visão" um dos ministros das Finanças de António Guterres, o Professor Sousa Franco, compara o crescimento do nosso Produto Interno no período dos governos PS com a situação vivida em 2002 e 2003. É uma comparação que demonstra que este governo tem falhado precisamente naquela que foi uma das suas grandes "bandeiras eleitorais": colocar Portugal em poucos anos no pelotão da frente da União Europeia. É claro que as falhas não se ficam por aqui: derrapagens do défice só controladas por receitas extraordinárias, crise na educação, falhas no combate à evasão fiscal, agravamento de impostos, impasse em questões fundamentais como a construção do aeroporto da Ota, ... Tudo isto tem sido obra deste governo, que antes do meio do mandato já deixa muito poucas saudades.
É por tudo isto que aos que dizem "a culpa é dos outros", eu só respondo: "que saudades dos outros!".
Alguns especialistas climáticos vêm alertando há alguns anos para os efeitos do aumento da concentração de gases na atmosfera. Este aumento, segundo estes especialistas, levaria em virtude do efeito de estufa ao aumento da temperatura média no Verão e a mais chuva no Outono e Inverno. Os cépticos em relação a este cenário, já devem ter visto que se calhar há muita verdade nestas previsões: depois de um Verão em que um pouco por todo o Hemisfério Norte se bateram recordes de temperatura com as consequências trágicas conhecidas: mortes, incêndios, etc., o Outono chuvoso que temos tido parece dar razão a estes especialistas.
O Homem que viveu durante milhares de anos com aproximadamente o mesmo clima, em poucas dezenas de anos está a provocar alterações cujos resultados são imprevísiveis. Na conferência de Quioto em que este problema foi tratado pela primeira vez de uma forma séria, chegaram-se a compromissos que infelizmente não estão a ser cumpridos. Portugal já está a emitir gases de estufa acima dos níveis que se tinha comprometido para o período de 2008-2012, ora se tivermos em conta que, ao invés de diminuír estas emissões aumentam de dia para dia, facilmente chegamos à conclusão que será preciso quase um milagre para que possamos cumprir a meta estabelecida em Quioto. O próprio Tratado de Quioto, poderá não entrar em vigor, porque para esse efeito terá de ser ratificado por países responsáveis pela emissão de 55% dos gases mundiais. Com o presidente George W. Bush, chefe de estado da nação que responde por cerca de 25% da emissão destes gases, a recusar a ratificacão deste Tratado, seria necessário que a Rússia o ratificasse, o que não será fácil, pois os Estados Unidos não querem ser os únicos a ficar de fora, e vão por isso exercer a sua pressão para que os seus ex-inimigos adoptem a sua política de ignorar este grave problema que põe em causa o futuro do nosso planeta e da vida humana como a conhecemos.
Para quem queira saber mais sobre os problemas ambientais e outros, aconselho a leitura deste blog, que vai também para os meus favoritos.
Hoje foi um daqueles feriados religiosos que a maior parte das pessoas não sabe a que se deve e, na verdade, nem se preocupam em saber. A maioria dos portugueses quer é que este feriado calhe num dia da semana. Eu até sei que é o dia da Imaculada Conceição que um rei decidiu que seria a padroeira de Portugal, mas na verdade, num Estado que se quer laico, questiono até que ponto não será exagerado o número de feriados religiosos que temos.
Por mim, limitaria o número de feriados religiosos àqueles que já têm uma importância para lá do carácter religioso, ou seja a Sexta-Feira Santa, a Páscoa e o Natal. Isso retiraria do calendário 4 feriados religiosos: Corpo de Deus, 15 de Agosto, 1 de Novembro e 8 de Dezembro. Em compensação por esta redução no número de feriados, poderia haver um aumento do número de dias de férias, e cada um poderia utilizar os dias de férias extras nas festas da religião que professa, ou simplesmente aproveitar estes dias extra para uns fins-de-semana alargados.
Fica a sugestão!
No anterior post falei da violência conjugal, aquela que é exercida por um dos cônjuges, normalmente o marido, sobre o outro. É um acto em que normalmente o agressor se aproveita de maior poder físico, e até económico, para impor um clima de terror.
No entanto, a violência doméstica não se confina à violência conjugal, há outra forma de violência que julgo ser tão grave, até porque as diferenças físicas são maiores: falo dos castigos corporais infligidos pelos pais aos filhos. Bem sei que esta é uma área sensível, e que muito provavelmente, a minha opinião não será a da maioria, mas foi com alegria que li a notícia da possibilidade de em Portugal serem proibidos e, consequentemente, punidos os castigos corporais em crianças.
Acho que é altura de todos percebermos que as crianças não são propriedade dos pais, estes são responsáveis pela sua educação, mas devem fazê-lo pela positiva, incutindo-lhes a responsabilidade pelos seus actos, nunca recorrendo à agressão ou ao castigo.
O mais engraçado é que, embora com a desculpa de ser para educar, estas agressões ocorrem quase sempre, porque o pai ou a mãe estão chateados com o trabalho, ou estão com pressa, e descarregam os seus problemas numa criança que tem uma estrutura física muito mais frágil e que tem que viver a sua infãncia, não tem de ser vítima dos estados de espírito dos pais.
Não acredito que seja nesta legislatura que seja introduzida esta legislação, afinal a direita sempre foi defensora da autoridade, mas penso que daqui a uns anos, com um governo com outra cor, talvez possamos avançar nesta matéria.
No passado dia 25 de Novembro assinalou-se o Dia Internacional contra a Violência Doméstica, foi a ocasião para se falar de um problema de que se fala tão poucas vezes e por norma, apenas quando são conhecidos casos envolvendo figuras públicas.
Tanto se fala da "guerra civil" provocada pela condução de alguns portugueses, e ignora-se esta, que tem a agravante de ser entre pessoas que decidiram fazer uma vida em comum e que provoca alguns mortos e certamente muito mais feridos do que todos os acidentes rodoviários.
A própria sabedoria popular, que em tantas situações nos dá importantes lições de vida, se revela má conselheira ao dizer: "entre marido e mulher não se mete a colher". É óbvio que todos temos o dever de intervir quando presenciamos ou temos conhecimento da agressão de alguém. Li no blog do Cajó que ele, como pessoa bem formada que é, há poucos dias, quando ouviu indícios de uma agressão conjugal decidiu chamar a polícia e intervir. Mas quantos de nós, não preferem assobiar, olhar para o lado e dizer que o problema não é nosso?
E afinal as previsões estavam correctas, a próxima edição da America's Cup vai mesmo disputar-se na cidade espanhola de Valência.
Era a oportunidade de termos uma das maiores competições desportivas no nosso país, com um retorno financeiro que estava calculado em cerca de 1.500 milhóes de euros (muito mais do que o previsto para o Europeu de Futebol, com a vantagem dos custos serem bem menores). A realização da America's Cup seria a oportunidade ainda para a vela ter um pouco mais de atenção, é incrível que um país como Portugal com condições naturais tão propícias à prática da modalidade e com a nossa tradição em navegação não aposte mais neste desporto.
O governo português percebeu a importãncia que a realização da America's Cup poderia ter para o país e para a zona Ocidental do estuário do Tejo em particular e, acertadamente, decidiu apoiar esta organização. Ficou a mancha de ter despedido os trabalhadores da Docapesca antes da atribuição da organização a Lisboa/Cascais, não só as manifestações dos pescadores podem ter tido um peso negativo na nossa candidatura, como fica a ideia que sem a organização da America's Cup a reestruturação daquela zona vai ser adiada, pelo que foi prematuro o despedimento dos trabalhadores.
As imagens que publico em baixo chocaram-me. Não sou um radical defensor dos direitos dos animais, mas sou contra a crueldade, mesmo que seja exercida sobre animais.
Foi notícia nos últimos dias, a matança de milhares de golfinhos feita pelos japoneses e que foram registadas por activistas dos direitos dos animais. O que me choca não é tanto o facto de os japoneses se alimentarem da carne do golfinho, desde que o façam sem pôr em risco a sobrevivência da espécie. Como podemos nós ocidentais, que nos alimentamos de carne de vaca, porco ou frango, criticar os japoneses por esta preferência alimentar. O que me chocou foi o método utilizado: os golfinhos são dirigidos até uma pequena baía, onde são feridos com arpões, ficando a sangrar durante algum tempo até morrerem. Após isto, mergulhadores recolhem os cadáveres dos golfinhos mortos no mar vermelho de sangue.
Um membro do sindicato de pesca local, em resposta às acusações de crueldade nesta prática, defendeu-se dizendo que se trata de uma prática com 400 anos de tradição. Mais uma vez, a tradição a justificar o que não é justificável.


Na altura da última campanha eleitoral para as legislativas, Belmiro de Azevedo insistiu para que os principais partidos revelassem quem seriam os seus Ministros das Finanças em caso de vitória. Percebe-se porquê esta insistência, os que votaram no PSD a contar com o Miguel Cadilhe e acabam por ter de ficar com a Manuela Ferreira Leite têm todas as razões para se sentir defraudados. Será que não têm mesmo direito a uma indemnização por frustração de expectativas, ou será que somos nós, os que não votaram nem no PSD nem no PP, que temos direito a receber uma indemnização dos que contribuíram para a eleição deste (des)Governo.
Este é um hábito português que poderíamos dispensar: dizer mal de quase tudo, e ainda por cima, não com o intuito de fazer algo para mudar o que está mal, mas simplesmente para dizer mal.
Nas minhas viagens até Lisboa para o trabalho normalmente utilizo o comboio e o metro, e como estas viagens são feitas quase sempre à mesma hora, acabo por encontrar caras conhecidas e mesmo que não o queira acabo por escutar algumas das suas conversas, e é impressionante como há pessoas que conseguem todos os dias dizer mal de todos os que os rodeiam: colegas de trabalho, familiares, amigos, empregados de loja,etc. É incrível como nunca ouvi nada de simpático vindo destes "profissionais do mal dizer", penso mesmo que o grande(único?) prazer das suas vidas é dizer mal, e se assim é, não há dúvida que a vida lhes vai correndo bem.
Desde há mais de um ano que utilizo regularmente o comboio para me deslocar para Lisboa para trabalhar. Como devem calcular, este tempo já me permite identificar alguns dos meus companheiros de viagem, em especial os que de manhã apanham o comboio sensívelmente à mesma hora do que eu, até porque a minha hora de regresso é mais variável: por volta das 18 horas se venho directo para casa, será um pouco mais tarde se decido ir fazer alguam compra, ou se simplesmente decido ir dar um passeio na baixa pombalina. À terça-feira, o regresso é por volta das 21 horas, porque antes tenho o meu jogo de futebol semanal com os colegas de trabalho. Nas minhas últimas viagens de regresso, após os jogos de futebol, tenho reconhecido algumas das pessoas que comigo viajam diariamente por volta das 8h30 e não consigo deixar de pensar que, provavelmente, esta será a sua hora de regresso a casa todos os dias. Ou seja, todos os dias passam 13/14 horas desde a hora em que saem de casa para trabalhar, até à hora de regresso. Some-se a estes valores as 8 horas que os médicos recomendam de sono diário, e veremos que lhes sobra tempo para jantar, para ver um pouco de TV e para pouco mais...
Só espero que tenham acesso à Internet no trabalho, porque de outra forma, dificilmente teriam tempo para ler alguns dos excelentes blogs que se fazem em Portugal.
Li o relato desta história num dos meus blogs favoritos, um blog que mistura o Benfica com a Filosofia! Ao que parece, o agente do Euébio vendeu à BBC uma entrevista que decorreria no novíssimo Estádio da Luz. Mesmo não sendo favorável ao pagamento a entrevistados, a BBC aceitou, quem sabe pelo elevado número de ingleses que ainda se lembram do miúdo que, depois de fazer um excelente campeonato do mundo, se agarrou à camisola a chorar na altura da eliminação, aos pés da forte selecção inglesa a jogar em casa.
O que os jornalistas da BBC, certamente, não esperavam é que na altura da entrevista Eusébio tivesse mudado de ideias e exigisse o dobro do anteriormente acordado.
É claro que a entrevista não se realizou, e assim se promove a imagem de um país...
Pelo que tenho lido, o governo mantém a intenção de acertar a nossa hora com a da Europa Central, seguindo uma decisão que já tinha sido tomada num dos governos de Cavaco silva, e que foi na altura criticada por muitos. se as desvantagens da adopção da Europa Central são, pelo menos para mim, claras, confeso que não consigo perceber as vantagens que esta alteração traria, nem tão pouco consigo perceber a insistência que os governos de PSD fazem neste sentido. Só espero que esta alteração, a concretizar-se, seja feita com o necessário debate, por forma a que se possa perceber quais as vantagens reais, e se estas compensam efectivamente as desvantagens.
A propósito, não me parece que a Irlanda e a Grã-Bretanha estejam a pensar alinhar pela hora da Europa Central, o mesmo se passando com a Grécia, que tem uma hora a mais do que a hora da europa Central (e mais duas do que Portugal). Parece-me que se está a tentar insistir num erro, e daqui a uns anos, ao invés de falarmos em hora de Verão e hora de Inverno, falar-se-á em hora do PS e hora do PSD, com o nosso fuso horário a variar conforme a cor do partido no governo.
Cliquem aqui para ver um exemplo de estupidez dos nossos jovens...
Situações como o favorecimento à filha do Ministro dos Negócios Estrangeiros, não deverão ser tão raras quanto isso, mas estas situações raramente são denunciadas, pelo que acabam por morrer no "diz que disse". A denúncia é, ainda, muito mal vista no nosso país, em especial pela esquerda. As razões são óbvias, muitos associam este comportamento com os bufos, aqueles que, durante a ditadura, denunciavam os criminosos políticos que ousavam ver a sociedade de forma diferente dos senhores do Estado Novo.
Denunciar alguém a um regime não-democrático, que prende de forma arbitrária e procede à tortura e maus-tratos de todo o tipo aos que não concordam com ele, é uma atitude cobarde e reprovável. Num regime democrático, como é o nosso, denunciar alguém que cometeu um crime é, antes de mais, um dever cívico. Ninguém quer fazer de cada pessoa um polícia, ao estilo do descrito pelo Georges Orwell no "1984", em que os filho sdenunciavam os pais se estes ousassem ir contra o pensamento do Grande Irmão, trata-se simplesmente de evitar que a corrupção, a evasão fiscal, a violência doméstica e tantos outros crimes fiquem impunes.
Não conheço a Diana Martins da Cruz, nem sei se virá a ser boa médica ou não. Sei que não reunia os requisitos para entrar em Medicina numa universidade pública portuguesa, e que há muitos alunos com melhores notas, que só não entraram em Medicina porque não têm a sorte de ter um pai ministro. Os políticos bem se podem queixar que são mal pagos, mas não podem esquecer as vantagens que vêm com os cargos que ocupam, se já todos sabiam que eles tinham direito a principescas reformas com poucos anos de serviço, agora descobre-se (e muitos já suspeitavam) que ser político pode ajudar a colocar a filha no curso desejado.
Esta história lembra-me outra que ocorreu há alguns anos atrás, de uma jovem que conseguiu ingressar em medicina ao abrigo do estatuto de atleta de alta-competição, por ter participado num torneio de xadrez, que tinha sido organizado pelo pai, personalidade ligada ao partido então no governo. O caso foi notícia n' O Independente, a jogadora de xadrez abandonou a modalidade onde nunca tinha conseguido nenhum resultado acima da mediania, provavelmente para se dedicar ao seu curso, e a última vez que me contaram alguma coisa sobre ela, estava em vias de terminar o seu curso de Medicina.
Será que desta vez, mais do que a demissão de um ministro, vamos ver a matrícula da filha do ministro anulada? É que caso contrário, somos obrigados a concluir que o crime em Portugal ainda vai compensando.
Hoje comemorou-se o dia europeu sem carros, uma iniciativa que tenta alertar para a necessidade da redução da utilização do automóvel nas cidades e, simultaneamente, sensibilizar para as vantagens da utilização dos transportes públicos.
Depois de no ano passado a autarquia de Lisboa não ter aderido, este ano a adesão limitou-se ao encerramento de algumas ruas à circulação de automóveis privados. A grande novidade veio da parte da Carris e do Metro, que decidiram não cobrar tarifas no dia de hoje.
Sou, naturalmente, favorável a esta, e a outras medidas, que possam aliviar a cidade de Lisboa de alguns dos muitos carros que de segunda a sexta a invadem. Como podem calcular, este meu desejo de ver Lisboa com menos carros, é reforçado pelo facto de trabalhar numa das ruas mais poluídas de Portugal.
No entanto, o grande problema com estas medidas é que são mal vistas, quer pelos que habitualmente utilizam o carro, porque de tão habituados a utilizar o automóvel em todas as situações, julgam que é imossível "sobreviver" sem ele; quer pelos utilizadores habituais de transportes públicos, que vêm nestas iniciativas uma forma de atraír mais utilizadores para os transportes colectivos, que já estão tantas vezes sobrelotados.
Falta definir uma política concertada, que promova transportes públicos de qualidade e não poluentes, para que as pessoas deixem o carro em casa quando vão trabalhar, não porque sejam obrigadas a isso, mas porque percebam que além de mais ecológica, essa é a medida mais racional.
Ainda a propósito da vida e de sonhos, deixo uma citação que muitos devem conhecer:
Sonha como se vivesses para sempre; vive como se fosses morrer hoje
(James Dean)
No meu último post, disse que os mais velhos têm menor capacidade de sonhar. Não quis generalizar, é evidente que há jovens que perderam (ou que nunca tiveram) a capacidade de sonhar e há menos jovens que mantêm esta capacidade. No entanto, julgo ser inquestionável que com a idade a generalidade das pessoas vai substituindo os sonhos por pragmatismo e conformismo. Felizmente, não é assim para todos. Enquanto eu, que ainda não atingi os 30, sinto que me vai faltando a fantasia e a ambição, e me vou conformando com o que a vida me proporciona, outros há, com mais uns anos, que demonstram serem sonhadores quase utópicos. Lembro, a título de exemplo, o nosso primeiro-ministro, que afirmou recentemente que tem a convicção, que até 2010 Portugal será uma das mais competitivas economias europeias. Posso também dar o exemplo do Presidente da SAD do Benfica, Luís Filipe Vieira, que terá dito, há algum tempo atrás, que no prazo de três anos o Benfica estaria nos cinco maiores clubes do mundo. São sonhadores como estes que deverão ser o modelo para todos nós, e o mais incrível, é que ambos conseguiram proferir estas declarações sem se rirem, como se acreditassem mesmo no que estavam a dizer.
No outro dia, enquanto ocupava algum tempo da hora de almoço a falar com um colega sobre a diminuição da natalidade, ele revelou-me a sua teoria, que partilho com todos os que lêem este blog. Segundo ele, a diminuição da natalidade é positiva, porque permitirá a médio prazo diminuir o número de habitantes do nosso país e, como já me tinha exposto anteriormente, ele defende que há uma relação inversamente proporcional entre a densidade populacional e qualidade de vida. O argumento parece lógico, muita da riqueza do país é gerada pelos recursos naturais, que não dependem do número de habitantes, e por isso, com menor número de habitantes, estes recursos gerariam um maior rendimento per capita. Mesmo pensando que há países, como a Holanda, que com uma densidade populacional muito superior à nossa, têm um rendimento médio superior ao nosso, acho lógico admitir que este rendimento por habitante seria ainda maior, se a densidade populacional fosse mais reduzida. Ainda por cima, uma menor densidade populacional, obrigaria a construção de menos estradas, prédios e de tantas outras estruturas, permitindo poupar áreas naturais da intervenção humana.
Na altura, ainda lhe disse que, mesmo sendo verdade que um menor número de habitantes poderia elevar a qualidade de vida, a diminuição da natalidade, aliada aos progressos na medicina, conduziriam a um envelhecimento da população, o que culminaria na falência do actual sistema de Segurança Social, com todas as consequências que daí adviriam. O meu colega, que já tinha reflectido sobre este argumento, defendeu que esta falência da Segurança Social não passa de um mito, e que o aumento da produtividade, aliado a um aumento das contribuições, permitiria manter o actual regime de pensões. Trata-se de matéria complexa, e que exigiria bastantes cálculos, até porque é bastante difícil estimar qual será o crescimento da produtividade em Portugal, por isso, e porque estávamos já no final da hora de almoço, demos por encerrada a discussão, sem que eu tivesse apresentado argumentos fortes de que a diminuição da natalidade e consequente envelhecimento da população era um problema e não, como ele defendia, uma solução.
Esqueci-me de lhe referir um último argumento, uma sociedade envelhecida é uma sociedade com menos capacidade de sonhar, os estudos de opinião demonstram que os mais velhos têm uma atitude mais desconfiada, mais conservadora e, por razões óbvias, pensam mais no curto prazo. Lembro-me de ler uma reportagem sobre a grave crise em que está o Japão, com uma deflação que dura há anos, e os mais idosos entrevistados, revelarem que estavam contentes por esta deflação, uma vez que isso lhes tinha aumentado o poder aquisitivo das suas pensões, permitindo que viajassem cada vez mais. É claro que estes japoneses, não ignoravam as graves consequências que este cenário pode trazer – e já traz – para o seu país, mas acham que deverão ser os jovens a pensar nisso. Uma sociedade envelhecida, é uma sociedade menos aberta, com mais preconceitos, mais conservadora e com muito menos sonhos. E é bom acreditar que o sonho comanda a vida.
Nos últimos dias, a propósito dos resultados de colocação dos professores, muito se falou no problema do excesso de professores e na situação de desemprego em que estão milhares de professores.
É claro que me preocupa o facto de existirem tantos milhares de professores que não podem exercer a profissão que escolheram e para a qual se prepararam, mais preocupado fico, porque suspeito que entre estes não-colocados há muitos que têm vocação para ensinar e, entre os que têm colocação, há tantos que estão no ensino contrariados, por falta de alternativas. Lembro-me de no meu percurso escolar ter tido alguns professores, que assumiam que não gostavam de ensinar, felizmente que mais foram aqueles que o faziam com gosto, e é desses que eu guardo melhores recordações, lembro por exemplo o Senador Viegas, meu professor de Organização e Administração de Empresas no 10.º ano, ou o Dr. Sousa Andrade, professor de Introdução à Economia na Faculdade.
Muitas soluções têm sido apontadas para o excesso de professores em relação às necessidades reais do país. Julgo que a solução terá sempre de passar pela redução dos numerus clausus para cursos cujas saídas profissionais estão totalmente congestionadas. Por muito que se proteste por estas limitações, não faz sentido que o estado gaste milhóes na formação de professores, sabendo que uma grande parte deles não poderá exercer essa profissão, isto é mais grave, porque estes recursos poderiam ser canalizados para outras áreas, onde há falta de profissionais qualificados.
Acho que não é tarde (nunca é!) para se fazer uma aposta séria na educação, que até já foi anunciada como paixão de um ex-primeiro ministro, mas não passou de uma paixão platónica. Precisamos de um governo que ame a educação, que contagie com este amor todos os agentes educativos, para que, finalmente, se aposte decisivamente na educação, porque, não podem existir dúvidas, que nunca nos vamos aproximar do desenvolvimento dos grandes países da Europa, se não tivermos uma educação com a mesma qualidade que eles têm.
P.S. Este é o post n.º 100, obrigado a todos os leitores, sejam os ocasionais, sejam os habituais, por me darem o incentivo para atingir este número.
Muitos na "blogosfera" têm discutido as virtudes da esquerda sobre a direita, e vice-versa. Hoje decidi fazer o teste. Queria saber onde me situo no eixo político e devo dizer que o resultado não me surpreendeu.
Carreguem aqui, para entrar na página onde poderão fazer este teste muito engraçado. No final, a par dos resultados, é possível ver onde se situam figuras conhecidas da política internaconal.
Já agora, para os que queiram saber, o meu resultado pôs-me como esquerdista libertário (Economic Left/Right: -4.88; Libertarian/Authoritarian: -5.54), relativamente próximo do Dalai Lama e de Nelson Mandela, pelo que tenho de ficar contente com tão ilustres companhias.
O dia 11 de Setembro é rico em efemérides, se hoje todos associamos este dia aos bárbaros atentados contra o World Trade Center, onde faleceram milhares de inocentes, há 30 anos atrás, no dia 11 de Setembro de 1973, deu-se o golpe de estado que vitimou o presidente chileno Salvador Allende, que depois da vitória nas urnas foi assassinado por terroristas apoiados pelos Estados Unidos da América. As consequências desse golpe são hoje sobejamente conhecidas. O regime ditatorial protagonizado por Augusto Pinochet foi o responsável pelo assassinato de milhares de pessoas, igualmente inocentes, com o silêncio comprometido da nação, que hoje tão activamente combate o "eixo do mal".
Este é de facto um dia de pesar, pelos milhares de americanos falecidos, mas também por estes milhares de chilenos, e é um dia em que devemos reflectir se não terão sido os ventos que os Estados Unidos da América semearam no Chile, na Palestina, no Panamá, agora no Iraque e em tantos outros sítios, que terão provocado a tempestade cuja dimensão, provavelmente, ainda nem conhecemos.
Para terminar, deixo a citação de uma frase proferida, pouco tempo antes do golpe de estado no Chile, por Henry Kissinger, um dos principais responsáveis pela política externa dos Estados Unidos durante a presidência de Richard Nixon, e que foi laureado com o Prémio Nobel da Paz(!) em 1973: "I don't see why we need to stand by and watch a country go communist due to the irresponsibility of its people." Ilustrativo da "democracia" defendida pelos Estados Unidos.
Hesitei bastante, se devia colocar um link para este blog ou não. Tratam-se de acusações graves e anónimas. Apesar disso, acho que cada um deve ler e tirar as suas próprias conclusões. Eu tenho a minha opinião, mas não vou revelá-la.
Esta noite realizou-se, três anos depois, uma tourada na cidade de Lisboa. Com o Campo Pequeno ainda em obras, o palco foi uma praça improvisada no Parque das Nações. Já expressei, anteriormente, a minha opinião sobre este espectáculo, volto a este tema só para partilhar uma opinião, que me foi transmitida por um amigo que é defensor das touradas, dizia ele que "os touros só servem para tourear, pelo que, proibir as touradas seria condenar à extinção o touro". Este meu amigo não o disse, mas certamente defende que os elefantes só servem para produzir dentes, pelo que, a proibição do comércio do marfim, está a condenar à extinção o elefante, talvez até defenda que as martas e os arminhos só servem para produzir casacos de pele, pelo que, rejeitá-los seria condenar estas espécies à extinção.

Coimbra parece ter sucedido à Figueira da Foz como cidade "na moda". Senão vejam só: este ano Coimbra é a capital da cultura do nosso país, a Académica consegue estar dois anos seguidos na Superliga (feito que já não conseguia há muitos anos), a TVI tem uma telenovela cuja acção decorre na cidade (as minhas fontes que seguem novelas asseguram-me que a acção se passa mais na Figueira, mas a verdade é que os cartazes no metro têm a cidade de Coimbra) e Coimbra consegue ser, sem pensar na Queima das Fitas, o palco de concertos que não chegam à capital, pense-se no exemplo recente do Lou Reed e agora dos "velhinhos" Rolling Stones, que vão encerrar a tournée, com que assinalam 40(!) anos de carreira, precisamente na Lusa Atenas.
Só espero que toda esta agitação não descaracterize Coimbra, se é verdade que sempre critiquei a estagnação em que a cidade tem estado mergulhada, por outro lado, é bom chegar lá e ver que está quase tudo na mesma.
Este post é dedicado a um dos mais estranhos hábitos dos portugueses, digo dos portugueses, embora suspeite que no estrangeiro esta moda também tenha os seus adeptos. Falo da opção que alguns homens fazem por deixar crescer as unhas dos dedos mindinhos, que passam a ser designadas por "unhacas".
E para que serve a "unhaca"? Esta é uma dúvida que tenho há algum tempo. Será um instrumento para limpeza das fossas nasais e para retirar o excesso de cera dos ouvidos? Servirá como arma de defesa pessoal? Ou, quem sabe, será apenas uma afirmação de estilo, e terá apenas um efeito decorativo. Esta última opção, leva-me a pensar que tipo de pessoas podem gostar de ver uma unha exageradamente grande. E será que os adeptos deste hábito não têm amigos, que lhes digam que se querem fazer uma afirmação de estilo, há outras formas de o fazer, pintar o cabelo de verde, por exemplo.
Fica a dúvida sobre as reais motivações dos adeptos da "unhaca", até porque sempre suspeitei que os seus defensores não gostam de falar disso, muito menos com alguém que gosta de cortar todas as unhas rentes. Se algum dos leitores for um dos adeptos deste hábito, agradeço que me esclareça sobre as suas vantagens, quem sabe não adopto este hábito, e daqui a uns tempos estou a escrever sobre as pessoas esquisitas que cortam as unhas dos dedos mindinhos.
Não me considero racista, nem percebo como tantos avaliam os outros pela cor, raça ou religião. Tenho-me apercebido, com grande preocupação, que cada vez mais, as pessoas são intolerantes e rejeitam tudo o que é diferente, sejam os que têm uma cor mais escura e que serão inevitavelmente marginais, sejam os de leste que falam linguas esquisitas ou até as brasileiras que vêm para roubar os maridos das portuguesas...
Acho esta atitude mais estranha, porque os portugueses sempre andaram pelo mundo, e o sucesso de muitos dos nossos emigrantes, só foi possível porque não foram recebidos com desconfiança. Convém lembrar que o Portugal que temos hoje é fruto da mescla de muitos povos, pelo que, falar numa raça de portugueses revela total desconhecimento da nossa história.
Uma coisa que me incomoda, é a facilidade com que as pessoas expõem, quase que com orgulho, os seus sentimentos racistas, não tendo a noção de estar a fazer algo de errado.
Acho que faz falta uma educação cívica, para que certas atitudes fossem vistas como socialmente condenáveis. Falo, entre outras, de todas as formas de descriminação ou da evasão fiscal. Esta educação não levaria a que todos rejeitassem estas atitudes, mas impediria que se vangloriassem delas, impedindo que arrastassem outros.
A notícia é do The Observer. Na década de 60, o Vaticano deu ordens para que os seus bispos encobrissem os casos de abuso sexual envolvendo membros do clero, ameaçando excomungar os que não cumprissem esta ordem.
O documento, com o selo do Papa João XXIII, acaba por confirmar que as mais altas autoridades católicas foram coniventes, quanto mais não seja pelo silêncio, com estes actos hediondos.
Será que o Papa também vai pedir desculpa por isto?
Soube através de um dos meus blogs favoritos, Lua, que se iniciou hoje a época de caça. Com todo o respeito que me merecem alguns caçadores, fico espantado que pessoas civilizadas se dediquem à morte de seres vivos, e chamem a isso desporto.
Emancipate yourselves from mental slavery,
None but ourselves can free our minds
Bob Marley
in Redemption Song
Ao ver as notícias na televisão esta manhã, vejo dezenas de feridos numa largada de touros em Madrid. Enquanto alguns são atirados ao ar, como se fossem bonecos de trapos, outros nas bancadas assistem ao espectáculo, contentes por ter acontecido algo. É sabido, que é a possibilidade destes acontecimentos infelizes que atrai o público, e se um dia deixasse de haver estes incidentes, a festa brava morreria.
Ao pensar nas touradas, não consigo deixar de associar os seus aficionados com os que depois de verem um acidente rodoviário, comentam com um ar desolado: "foi só chapa...". É triste...
O relato que vou fazer, é relativo a um acontecimento que observei na vila de Sintra, na visita sobre a qual já escrevi. Estava a dar os meus primeiros passos no centro histórico, quando reparo numa rapariga alta, cuja roupa e atitude não escondiam que enveredara por aquela que dizem ser a mais velha profissão do mundo, aos gritos, insultando com todos os nomes possíveis um sujeito com menos de 1,60m de altura, provavelmente com 50 anos, que fugia assustado, andando tão rápido como as suas pequenas pernas permitiam. Ela estava quase a alcançá-lo, quando ele lhe pediu para ela se calar que a mulher dele estava ali, mas ela não só não se calou, como começou a bater-lhe, para gaúdio dos que assistiam à cena, a excepção era uma senhora que vinda do outro lado da estrada dizia : "tu és um homem, porque a deixas fazer isso?", enquanto fitava os que observavam a cena com um olhar desesperado, como que pedindo ajuda, ajuda que ninguém lhe podia dar. O resto da cena não presenciei, vi o homem afastar-se com a rapariga, e vi a mulher ficar incrédula, com o mesmo ar de desespero...
Marcou-me o ar de desespero, que deve ser o mesmo de tantas mulheres que em pleno século XXI ainda mantém casamentos com homens que as tratam de forma desumana, por medo da solidão, da falta de dinheiro ou da violência física.
Quase que por acaso, dei com esta página. Fala de um projecto inovador, que eu desconhecia totalmente, e que tem muito a ver com a forma como vejo o ensino. Mais informações sobre a Escola da Ponte, aqui ou aqui.
Confesso que sou um adepto do Verão e do bom tempo, nada como um dia de sol sem nuvens para carregar as minhas baterias. No entanto, não consigo ficar contente com o magnífico Sol que brilha pela janela, sabendo que esse Sol é o mesmo que, aliado à mão criminosa e a falhas na prevenção, contribui para a situação de catástrofe que se vive na nossa floresta. Segundo a edição de hoje do jornal "Público", a área ardida em Portugal, neste ano de 2003, poderão não ser os 162.000 ha estimados pela Direcção-Geral de Florestas, mas sim 300.000 ha. Estamos a falar de cerca de 3,4% da área de Portugal continental. Para perceber a dimensão da tragédia, basta referir que estes 300.000 ha, que até poderão ser mais, representam o triplo da média do que ardeu nos últimos dez anos, e 10 vezes mais do que ardeu em todo o ano de 1997.
Com a perspectiva de o tempo continuar quente e seco, este ano vai ser lembrado como um ano negro, negro como as árvores carbonizadas de tantas florestas do nosso país.
Pelo meu último post poderiam ficar com a ideia que não gosto dos políticos. Na verdade o que eu não gosto é que me mintam, e não fico muito contente quando um primeiro-ministro (no qual não votei), eleito com a promessa de baixar os impostos, decide aumentá-los, justificando-se com o "desconhecimento da situação real das contas públicas". Não é suposto um candidato a primeiro-ministro tentar informar-se sobre a execução orçamental, para poder saber o que promete? Penso que sim...
Felizmente nem todos os políticos são iguais, e há alguns nos quais deposito a minha confiança, se fosse possível juntá-los a todos no mesmo governo, sentiria-me mais optimista em relação ao futuro do nosso país.
Vou então deixar aqui mais um top-5, o dos políticos nos quais mais acredito. Limitei a escolha a políticos conhecidos de todos, porque de outra forma, o primeiro lugar teria de ir para um vereador de uma câmara do distrito de Leiria (que por acaso é meu irmão).
Eis então a lista:
1. Francisco Louçã
Admiro-o desde os tempos do PSR, quando falhou a eleição como deputado por escassas centenas de votos. Muito inteligente, é um orador brilhante e vê-se que se move pela força das convicções. É a alma daquele que considero o mais interessante projecto da política portuguesa actual, o Bloco de Esquerda.
2. Miguel Cadilhe
O pai do actual sistema de impostos portugueses. De reconhecida capacidade técnica, soube criticar o rumo do BCP, de que era adiministrador, antes do tempo e o mercado lhe darem razão. Como presidente da Agência Portuguesa para o Investimento, já criticou a obcessão pelo défice da ministra das Finaças, e já se percebeu que, também aqui, o tempo se encarregará de lhe dar razão. Com ele, não tenho dúvidas que há condições para o aumento do investimento em Portugal, mas preferia vê-lo como ministro das Finanças
3. José Sócrates
Na minha opinião, um dos melhores ministros dos governos de Guterres (a par de Sousa Franco e Mariano Gago).
Tem o carisma e o discurso cativante que faltam a Ferro Rodrigues.
Penso que será o próximo primeiro-ministro de Portugal (palpite arriscado).
4. Diogo Freitas do Amaral
Dos nomes avançados para candidatos às eleições presidenciais, julgo ser aquele que tem mais perfil para o cargo.
O facto de estar afastado da vida política partidária, deve impedi-lo de ter o apoio de algum dos principais partidos.
5. António Vitorino
Continua a ser avaliado como um dos melhores comissários europeus, tendo sido mesmo apontado como potencial secretário-geral da NATO.
Tentei incluir os principais partidos nesta minha escolha. Não considerei ninguém do PCP, porque acho que o partido está a passar por um momento de crise. O afastamento dos "renovadores", foi mais um tiro no pé, de um partido que tarda em encontrar um rumo. Também não incluí ninguém do CDS-PP, embora esteja um dos seus fundadores.
Para grande pena minha, não há qualquer mulher neste top (aqui não há quotas...), o que nem é de estranhar, dado que em Portugal a política é praticamente um feudo masculino
A propósito da Carla Bruni, lembrei-me daquele velho "mito" de que as mulheres bonitas normalmente são "burras", e que por outro lado as mulheres mais inteligentes têm de ser feias. Talvez haja uma explicação histórica para isto, numa altura em que a única ambição das mulheres era ter um bom casamento, em que as mulheres bonitas não precisavam de se esforçar muito para o conseguir, e em que as mulheres "menos bonitas" tinham de compensar a falta de atributos físicos, com outros predicados. Outros talvez vejam isto, como uma forma de "justiça divina", seria uma forma de a natureza equilibrar dando em beleza o que tinha tirado em inteligência e vice-versa.
Segundo este mito, nós homens, pertencemos a um de dois grupos, ou gostamos de mulheres bonitas cuja actividade intelectual mais complexa que fazem é escolher o que vão vestir cada dia, ou então, gostamos de mulheres inteligentes, mas desprovidas de qualquer beleza física.
Confesso que nunca acreditei muito neste mito, e sempre achei que a beleza não tinha nenhuma relação (seja inversa, seja directa) com a beleza. A entrevista da Carla Bruni, bem como algumas amigas, cujos nomes não vou enunciar, para que as não citadas não levem a mal, obrigam-me a concluír que, felizmente, há mesmo muitas mulheres que são simultaneamente atraentes física e intelectualmente, pelo que, ainda há uma esperança, para os que, como eu, sonham em encontrar uma mulher inteligente, bonita, sensível e já agora que cante como a Carla Bruni.
P.S. Prometo não voltar a falar da Carla Bruni nos próximos dias.
Há uns dias atrás escrevi sobre o Índice de Desenvolvimento Humano. Na altura referi que desconhecia a totalidade dos indicadores que permitiam calcular este índice. Pois bem, para os que tenham, tal como eu, curiosidade para conhecer estes indicadores, deixo-vos a página do Relatório de Desenvolvimento Humano . Os dados referem-se a 2001, e dado que o rendimento e o desemprego tiveram a evolução neste último ano que todos nós conhecemos, arrisco dizer, que na lista que considere os valores de 2003, devemos perder o 23º lugar.
No ano passado, a propósito das alterações registadas na RTP, muito se discutiu o serviço público de televisão. Tenho uma opinião sobre o que deveria ser este serviço público na RTP, aquele que os portugueses terão de pagar, seja directamente através de uma taxa, seja indirectamente através de transferências do Orçamento de Estado.
Mas não é sobre o serviço público de televisão que escrevo hoje, é sobre outro, prestado por dois jornais diários portugueses, e que tem a grande vantagem de não trazer custos para o Orçamento de Estado. Falo das iniciativas que o “Público” e o “Diário de Notícias” promovem, de permitir a aquisição de livros a preços bastante acessíveis juntamente com o jornal do dia. É claro que poderá haver quem diga, na tentativa de retirar o mérito destes dois periódicos, que o objectivo foi o de aumentar as vendas, fidelizar leitores e até que os livros não estão a ser vendidos abaixo de preço de custo, pelo que o objectivo foi o lucro. Provavelmente estarão certos, mas quem disse que o serviço público implica necessariamente perder dinheiro?
Estas iniciativas permitiram, sem dúvida, aos referidos jornais aumentar as vendas, principalmente nos dias de distribuição dos livros, mas tem também contribuído para o aumento do número de leitores em Portugal. Como sei isto? Sou utilizador frequente de transportes públicos, e tenho reparado, que o número de pessoas que durante as viagens lêem livros tem aumentado significativamente, e muitas vezes os livros em causa são os das colecções referidas, em especial a “Mil Folhas” do Público, que tem o grande mérito de aliar uma edição em “capa dura” de qualidade razoável a uma excelente selecção de livros, que percorre os grandes autores do século XX. Não tenho dúvidas em afirmar que esta colecção fez mais pelos hábitos de leitura dos portugueses, do que as campanhas promovidas pelo Ministério da Cultura.
A boa notícia, é que depois de mais de 4.000.000 livros vendidos (não é gralha, são mesmo quatro milhões), o Público decidiu fazer uma 3ª série da colecção “Mil Folhas”, e vai permitir que os portugueses adquiram mais 30 excelentes obras da literatura contemporânea a preços bastante acessíveis. Por mim, já estou a pensar onde vou arranjar estantes para mais estes livros…
Um italiano de seu nome Brunetto Chiarelli, organizador de um congresso internacional de Antropologia, chegou à conclusão que o Homem europeu corre perigo de extinção. Até aqui nada de muito novo, sabemos que a nataliadade tem diminuído nos países desenvolvidos, e embora passar desta diminuíção para a extinção me pareça um passo muito grande, é um problema para o qual temos de ter atenção, nomeadamante devido a algumas das suas consequências, por exemplo, o rápido envelhecimento da população e consequente falência do nosso modelo de segurança social.
O pior é que este sr. Brunetto Chiarelli (provavelmente um dos que votou no sr. Berlusconni), não se limita a identificar o problema, mas já arranjou uma solução milagrosa. Diz ele, que a solução passa por "impor a maternidade, como se faz em relação ao serviço militar obrigatório". Será que não há quem mande calar estes italianos ?
"Não tenho tempo", esta deve ser das expressões mais utilizadas nos dias que correm. É paradoxal que ao mesmo tempo que o "progresso" nos traz micro-ondas que fazem refeições em segundos, auto-estradas que permitem fazer Lisboa-Algarve em 2 horas (ou 2,5 h cumprindo o código...), vias-verdes que permitem passar nas portagens das referidas auto-estradas sem parar, homebanking que permite fazer as mais variadas oprerações bancárias sem sair de casa, empresas que recolhem a roupa e a trazem devidamente engomada ao domícilio, e tantas outras invenções que servem para nos poupar tempo, por outro lado, cada vez mais se houve a expressão : "não tenho tempo".
Quando comentei com algumas pessoas que estava a pensar fazer este blog, a primeira pergunta era sempre : "e tens tempo?".
Tenho tempo e todos temos tempo, e temos de ter tempo para disfrutar as coisas boas da vida, sejam elas um pôr-do-sol, um almoço com vista para o rio, uma peça de teatro, uma conversa com uma pessoa especial, uma música que fica a tocar durante horas, uma cerveja gelada numa esplanada de verão ou um beijo que não quer terminar. Porque senão tivermos tempo para isto, não temos tempo para viver.
Havia muito mais para dizer sobre este tema, mas não tenho tempo...
Nos últimos dias, a comunicação social noticiou a subida de Portugal no Índice do Desenvolvimento Humano, o país pode rejubilar por ser o 23º país mais desenvolvido do mundo. Confesso que não sei todos os critérios para determinação deste ranking, mas o que foi noticiado é que a nossa subida no ranking tem a ver com a subida do PIB per capita e com a taxa de escolarização dos jovens. Ou seja, Portugal subiu mais uns lugares no ranking, por ter aumentado o PIB per capita, mas continua a ser o país da União Europeia com a distribuição mais desigual do rendimento e por ter uma taxa de escolarização jovem próxima dos 100%, é claro que o critério não é o dos jovens que lêem livros ou jornais…
Não sei se sentem que estamos no 23º país mais desenvolvido do mundo, eu não acho, e penso que um critério que deveria ser acrescentado é o da confiança das pessoas, e esse tenho a sensação que está nos mínimos históricos…