Um hospital pertencente a uma ordem religiosa. Boa vontade dos enfermeiros (que profissão difícil). Uma operação que parecia estar longe de terminar, devido a problemas técnicos com o material, e que de repente o médico dá por terminada. Umas boas horas à espera de recuperar a sensibilidade (sem saber se devia perguntar aos enfermeiros se era normal ainda não sentir aquela parte). Noite sem dormir. Viagem para Pombal com o meu mano. Mimos da mamã. Muitas mensagens e telefonemas simpáticos de amigos e familiares. Esperança que o pé fique bom rapidamente.
Ligar para uma agência imobiliária no Luxemburgo, pedir informações sobre um imóvel e descobrir que o meu francês está mesmo a precisar de um estudo intensivo.
O inglês (ainda) não é a língua universal.
"Give me one reason to stay here, and I'll turn right back around..."
Tracy Chapman, Give me one reason
Hoje, depois de alguns meses de espera, soube finalmente quando tenho que me apresentar no Luxemburgo, para iniciar as minhas funções no Tribunal de Contas Europeu. Entre 15 de Agosto e 1 de Setembro, terei de estar de malas e bagagens no país com rendimento per capita mais elevado do mundo, para iniciar um novo ciclo da minha vida. Uma vez mais, como há cinco anos atrás, um fresh start, desta vez com a agravante de ser num país estrangeiro.
Três semanas até seriam um prazo razoável, para tratar de grande parte das coisas necessárias a este enorme passo. No entanto, na próxima sexta-feira vou ser operado a um tornozelo, o que me vai retirar grande parte do tempo útil. Significa que nos próximos três dias, o sono é um bem de luxo, e escrever neste blog também o será.

Ontem, finalmente, fui aquela que é considerada por muitos a melhor discoteca portuguesa.
Boa música, bom ambiente, uma decoração excelente.
Há quanto tempo não saía de uma discoteca depois do Sol nascer?
Definitivamente, um local a voltar mais vezes!
Não vai ser desta que vou ficar milionário. Ainda pensei em registar um biilhete no Euromilhões, mas bastou-me ver a fila na papelaria junto a minha casa para mudar de ideias.
Os últimos dias têm sido marcados por almoços com comida saudável: Quarta-feira, o Jardim dos Sentidos, junto à Praça da Alegria (para quem não sabe, e em resposta a um comentário a outro post, fica perto da Avenida da Liberdade, em Lisboa, Portugal); ontem, um almoço de sushi no Go Natural e hoje, uma excelente refeição no Celeiro. Estes dias lembraram-me as semanas que o ano passado estive a trabalhar no Porto, em que fui sempre almoçar ao Restaurante Alfarroba, um restaurante vegetariano que me deixou muitas saudades.
Nunca pensei em ser vegetariano, há demasiados pratos de carne (carne num sentido lato, englobando carne e peixe) de que gosto bastante (nomeadamente sushi, uma boa feijoada à brasileira, ensopado de borrego, arroz de polvo, bacalhau assado com batatas a murro, salmão grelhado, posta mirandesa...). No entanto, sempre achei que a maioria das pessoas consome demasiadas refeições de carne, e sempre quis adoptar uma política intermédia. Gosto muito de ir a restaurantes vegetarianos e nos jantares que faço para mim, os legumes e os cereais são, por norma, os principais ingredientes. Mas não gostaria de abdicar do prazer de um bom peixe ou de uma boa carne. Como em quase tudo na vida, é uma questão de encontrar a dose certa.
Restaurante lactovegetariano; Merceria de produtos biológicos; Espaço de terapias diversas (reflexologia, reiki, massagem bioenergética, shiatsu, cromoterapia, acunpuctura...).
Fica perto da Praça da Alegria e vale a pena visitar. Recomendo principalmente o jardim, um óptimo sítio para tomar uma refeição calmamente. Ninguém diria que estamos tão perto da Avenida da Liberdade, a rua mais poluída de Portugal.
Um espaço que gostei muito de conhecer e ao qual quero voltar mais vezes.
Hoje (como já passa da meia-noite, é mais correcto escrever ontem) decidi ir ao ginásio às 8h da manhã.
Não foi tão difícil como imaginava, acordei por volta das 6h30 como faço habitualmente, só que em vez de ficar na cama a ver televisão, decidi ir fazer exercício. Gostei tanto, que daqui a menos de 8h lá estarei novamente a fazer uns minutos de exercício antes de ir para o trabalho, isto enquanto a operação que vou fazer ao tornozelo não me obrigar a ficar deitadinho em casa.
Nos primeiros tempos deste blog havia no lado direito um espaço para pôr os blogs que eu consultava regularmente. Era uma forma de destacar alguns dos blogs de que eu mais gostava, para que outros os pudessem consultar e, simultaneamente, era uma forma de eu próprio os consultar. Depois, comecei a utilizar o Firefox e a abrir simultaneamente todos os blogs que lia habitualmente, e já raramente utilizava os links no meu blog para ler outros blogs, a partir do momento que comecei a utilizar o Sharpreader para ler blogs e notícias, achei que fazia pouco sentido manter uma lista de blogs e, pouco depois, eliminei-a. No entanto, às vezes, quando vejo um blog que gostaria de recomendar a leitura, preferia ainda ter a tal lista para o poder acrescentar. Não tendo, resta-me destacar aqui...
O blog que hoje aconselho a leitura é de uma pessoa que tem um percurso com algumas semelhanças com o meu: sendo ligeiramente mais novo do que eu, ambos crescemos em Pombal, estamos os dois a residir na zona de Lisboa, os nossos pais foram colegas de trabalho e também ele esteve a trabalhar na Direcção-Geral dos Impostos, mas rapidamente decidiu sair (a minha vontade de sair foi bem mais lenta e, por isso, ainda estou neste processo de transição). Mas se há algumas semelhanças, também há as diferenças, uma delas é que ele vai ser pai dentro de uns meses e, vai daí, decidiu criar um blog em que tudo gira à volta do bebé. Está muito giro e muito bem escrito, pelo que recomendo vivamente a visita a este blog. Lembra-me aliás uma sugestão que fiz há uns meses atrás a um colega meu, que também iria ser pai pela primeira vez, para criar um blog em que pudesse descrever as sensações de alguém que gerou uma vida e que tem a responsabilidade enorme de o educar neste mundo tão confuso, bem como relatar de que forma essa vida nova altera todos os hábitos anteriores.
Regressei agora de mais uma jornada de compras num hipermercado. Eu sei que posso parecer masoquista mas até acho divertido fazer compras. Gosto de ver as "novidades" e, claro, ouvir os comentários das pessoas. Sempre assumi a minha vertente voyeur, e há poucos sítios em que se possa observar o homo sapiens ser tão genuíno como na altura de fazer compras num hipermercado. Mas, voltando ao assunto deste post, estava eu entretido a ver os iogurtes que ia levar quando reparei que numa determinada marca de iogurtes, um conjunto de 8 custava ligeiramente mais do que o dobro do conjunto de 4. É verdade que a diferença nem era muita, mas qual o sentido de vender mais caro o conjunto de oito, quando as pessoas podem levar em alternativa dois conjuntos de 4. Talvez isto seja só para comprovar que os portugueses são mesmo maus a Matemática, e que os resultados dos exames do 9% ano, de que a imprensa fez recentemente destaque, não são mais do que a consequência desta aversão nacional às "contas". Isto é mais preocupante, na medida em que com a evolução da conjuntura nacional, é provável que os portugueses sejam obrigados, cada vez mais, a fazer bem as contas ao seu orçamento. Estava eu ainda a pensar que se os consumidores fossem racionais, não seria vendida uma única embalagem de 8 iogurtes, quando reparo que na secção de iogurtes líquidos, um determinado iogurte de 600 ml era vendido a um preço bastante superior a quatro embalagens de 200 ml do mesmo iogurte (para quem não sabe 4x200ml=800ml). Desisti de tentar perceber a lógica desta fixação de preços e nem disse a uma senhora que agarrava numa destas embalagens de 600 ml que era mais lógico adquirir o conjunto de 4 embalagens de 200 ml. Sei que não sou propriamente a regra, nem todos tinham por disciplina favorita a Matemática, e por acontecimento mais importante do ano escolar as Olimpíadas da Matemática. Por isso, acho mal que, determinado hipermercado, do qual não vou dizer o nome, nem vou referir que tem por símbolo um animal com tromba, ande, deliberadamente, a gozar com os portugueses.
Como em muitos outros aspectos da minha vida, também a escrita neste blog tem estado suspensa da minha ida para o Luxemburgo. Sinto que lá, poderei escrever sobre o que se passa (passou) em Portugal com o conforto de quem está longe e, simultaneamente, poderei escrever tranquilamente sobre o que me for acontecendo no Luxemburgo, seguro que não tenho entre os meus leitores residentes no Grão-Ducado.
Claro que enquanto não sei a data da minha partida vou continuar a postar aqui e, com alguma sorte, até pode ser que um outro post não faça referência ao Luxemburgo!
No post anterior a este, escrevi sobre a depressão que afecta o nosso país e na necessidade de inverter esta tendência. Ao olhar para as músicas que tenho no disco duro do meu computador (5175, número que vai aumentar nos próximos dias, porque continuo o processo de transferir a música dos CDs para o disco duro), reparo que faltam canções daquelas que ajudam a levantar o ânimo, o que em inglês se designa por feel good songs. Nesta altura de Verão faltam, por exemplo, as músicas dos Beach Boys. Como diz o (irritante) anúncio, que toda a gente imita: é que é já a seguir.
Nestes tempos de "aperto de cinto", aumento do IVA, aumento dos combustíveis, e tudo o mais que serve para deprimir ainda mais os portugueses, é bom encontrar distracções que nos façam esquecer estes aspectos menos bons. É nesse sentido que encaro as intervenções de Alberto João Jardim, ele tenta ser uma espécie de "Prozac" nacional que, com as suas intervenções disparatadas, tenta animar os portugueses. Infelizmente, o disparate repetido constantemente perde a piada, por isso, os portugueses têm de procurar a tal distracção para os problemas noutros sítios, é aqui que entra o Euromilhões, o tal concurso que dá os prémios fantásticos, e que embora necessite apenas de alguns minutos para preencher o boletim e sua entrega, garante uma semana de distracção, porque as pessoas podem comentar o que fariam se ganhassem as quantias fantásticas em jogo. A mais divertida que ouvi, foi a de uma rapariga nos seus vinte e poucos anos a comentar que compraria o carro dos seus sonhos, um Ford Focus (que grande doida!).
Confesso que estes jogos não me atraem, se gosto imenso de jogar, não me agradam os jogos que dependem apenas da sorte e sempre achei que estes jogos eram um "roubo" descarado, que até fazem os casinos parecerem altruístas (nos jogos da Santa Casa o montante para prémios veria entre cerca de 30% e os 50% das receitas, enquanto nos casinos esta percentagem é sempre superior a 90%). No entanto ao ver a febre que afecta grande parte dos meus colegas, disse há umas semanas atrás que jogaria quando o prémio chegasse aos 100 milhões de euros, já sei que o valor do primeiro prémio na próxima semana é de 96 milhões de euros, talvez seja a altura de fazer a minha estreia neste concurso, e apostar pela primeira vez num concurso da Santa Casa nos últimos dez anos. Talvez assim entre nesse autêntico passatempo nacional de sonhar o que eu faria com tanto dinheiro. Posso, desde já, adiantar duas coisas: não compraria um Ford Focus, nem voltaria a trabalhar por conta de outrém.
Boa sorte!
Bem sei que a expressão correcta é calcanhar de Aquiles, mas acho que ninguém leva a mal esta pequena variação.
Quem leia habitualmente este blog já encontrou aqui referências ao entorse do tornozelo que fiz há seis meses. Pois bem, uma lesão que podia (e devia) ser curada em poucas semanas, arrasta-se por entre sessões de fisioterapia, mesoterapia, consultas diversas, tudo sem que eu consiga perceber quando isto vai terminar. Hoje, o ortopedista achou que já chegava destes tratamentos, que o melhor era avançar para uma artroscopia, o que implicará umas semanas de imobilização e, se tudo correr bem, daqui a três meses já poderei correr. É claro que achei estranho que ele nem me tivesse olhado para o pé, e é claro que vou pedir uma segunda opinião, mas já começo a preparar-me para a eventualidade deste ano, que eu julgava que ia ficar marcado por ser o ano da minha partida para o estrangeiro, ficar marcado por ser o ano em que não consegui correr...
Já houve quem me dissesse que isto devia ser bruxaria. Infelizmente não acredto nessas coisas, dava muito menos trabalho, e ficava mais barato, ir ao Prof. Karamba e pedir-lhe para desfazer o feitiço.
"Não há regra sem excepção"
A ser verdade, era o exemplo de uma regra sem excepção.
Hoje é um dia de muitos aniversários.
A minha mãe faz 52 anos e daqui a menos de vinte horas já vou poder estar a dar-lhe os parabéns pessoalmente.
A minha professora primária também faz anos (oitenta e quantos?) e espero que a saúde dela lhe permita celebrar este aniversário (nunca mais a vi!).
Este blog faz dois anos de vida. A 8 de Julho de 2003, iniciei esta aventura de partilhar com o mundo algumas coisas pessoais. Dois anos de blogosfera trouxeram coisas más, mas também trouxeram muitas boas e são essas que recordo principalmente. Por isso, agradeço a todos os que por cá passaram, em especial aos que por cá deixaram comentários (tirando os anónimos de mau gosto!). Espero que para o ano estejam aqui a ler o post que assinala o terceiro aniversário.
P.S. Há dois anos atrás a blogosfera dava uma grande explosão. Na sequência de artigos de jornais e revistas, muitos foram os blogs criados, por isso, muitos são os que comemoram agora os dois anos de existência. Deixo aqui os parabéns para dois blogs que este fim-de-semana apagam um par de velinhas: o da Sofia, que descobri ao fim de poucos dias de vida e que tenho acompanhado regularmente desde essa altura, e o do verbal (ia quase escrevendo o nome verdadeiro), que leio desde o primeiro dia de vida e que me permitiu descobrir facetas novas do colega que trabalha a dez metros de mim (e que já trabalhou na secretária do lado). Espero que os vossos blogs se mantenham por muito tempo, deste lado estará sempre um leitor assíduo (mesmo que seja para criticar, não é verbal?).
Já aqui escrevi que Londres é uma das minhas cidades preferidas.
Talvez por isso, os atentados de hoje que seriam uma tragédia em qualquer cidade do mundo, me tocam um pouco mais. Talvez por isso, não quisesse acreditar que se tratava mesmo de uma acção terrorista.
Como diria John Lennon:
"Imagine there's no countries,
It isnt hard to do,
Nothing to kill or die for,
No religion too,
Imagine all the people
living life in peace..."
Com a presidência da União Europeia, em que tenta desviar as prioridades do Orçamento comunitário da agricultura e coesão para a inovação e tecnologia; anfitrião da conferência dos países mais ricos do mundo, depois de ter colaborado com a organização do espectáculo Live 8; finalmente, a vitória de Londres na corrida para a organização dos Jogos Olímpicos de 2012, em que se empenhou profundamente. Parece que não há dúvidas, o homem do momento é mesmo Tony Blair.
Ao ver a notícia da venda de um quadro da colecção do falecido Champalimaud por 17 milhões de euros, lembrei-me de uma música dos anos 80, que recordo muito bem, até porque o videoclip estava gravado numa daquelas cassetes VHS que eu e o meu irmão víamos vezes sem conta.
"Post office clerks put up signs saying position closed
And secretaries turn off typewriters and put on their coats
Janitors padlock the gates
For security guards to patrol
And bachelors phone up their friends for a drink
While the married ones turn on a chat show
And they'll all be lonely tonight and lonely tomorrow
Gentlemen time please, you know we can't serve anymore
Now the traffic lights change to stop, when there's nothing to go
And by five o'clock everything's dead
And every third car is a cab
And ignorant people sleep in their beds
Like the doped white mice in the college lab
Nothing ever happens, nothing happens at all
The needle returns to the start of the song
And we all sing along like before
And we'll all be lonely tonight and lonely tomorrow
Telephone exchanges click while there's nobody there
The Martians could land in the carpark and no one would care
Close-circuit cameras in department stores shoot the same video every day
And the stars of these films neither die nor get killed
Just survive constant action replay
Nothing ever happens, nothing happens at all
The needle returns to the start of the song
And we all sing along like before
And we'll all be lonely tonight and lonely tomorrow
Bill hoardings advertise products that nobody needs
While angry from Manchester writes to complain about
All the repeats on T.V.
And computer terminals report some gains
On the values of copper and tin
While American businessmen snap up Van Goghs
For the price of a hospital wing
Nothing ever happens, nothing happens at all
The needle returns to the start of the song
And we all sing along like before
Nothing ever happens, nothing happens at all
They'll burn down the synagogues at six o'clock
And we'll all go along like before
And we'll all be lonely tonight and lonely tomorrow"
Del Amitri, Nothing Ever Happens
P.S.: Esta é também a música em escuta aqui no Fight Club
Não é a primeira vez que escrevo sobre este assunto, presumo que o vou voltar a fazer. Hoje em conversa com alguns colegas de trabalho, percebi que a reacção da maior parte das pessoas à diferença (seja de religião, cor ou opção sexual) continua a ser rejeitá-la. Esta atitude choca-me profundamente, em primeiro lugar, porque em pleno século XXI não é normal que pessoas com educação universitária ajam com base em preconceitos, depois, porque esta rejeição só agrava os conflitos que já existem, e é, por isso, na minha opinião, também uma atitude pouco sensata.