dezembro 17, 2004

I'm not the man I used to be

Todos nós vamos evoluíndo (no sentido lato do termo) ao longo da nossa vida. Os acontecimentos, as pessoas com quem interagimos, o nosso trabalho, todos estes e tantos outros factores contribuem para que, em cada dia que passa, sejamos pessoas um pouco diferentes. Como estas transformações são geralmente lentas, temos dificuldade em nos apercebermos delas, e ás vezes, só mesmo quando reencontramos amigos do passado, é que somos confrontados com essas mudanças. Outras vezes porém, as mudanças dão-se a um ritmo mais rápido, e em vez da evolução natural, temos uma autêntica revolução, que leva mesmo os amigos mais presentes a terem dificuldade em nos reconhecer. Quando esta mudança é muito rápida, é mesmo provável que nem os próprios se consigam reconhecer, e é assim mesmo que me sinto. Sei que sou em muitas coisas a mesma pessoa que sempre fui, mas sinto que os últimos meses mudaram mais em mim do que os dez anos anteriores, e ainda por cima, acho que essas mudanças não foram positivas. Sinto que passei de uma altura em que confiava excessivamente nas pessoas, para uma situação oposta, em que tenho dificuldade em confiar e em partilhar. Deixei de acreditar que estar apaixonado (mesmo não sendo correspondido) era a melhor coisa do mundo, para achar que uma relação de carinho, cumplicidade (tudo em doses q.b.) e correspondida, é o melhor a que um mortal pode aspirar. Mas, pior que tudo isto, é perceber que passei de uma fase em que gostava muito de mim (exageradamente na versão de alguns), para esta fase em que, como muitos casais, apenas me suporto e em que censuro muitas das minhas atitudes.
Se virem o meu velho EU por aí, avisem! Também ando à procura dele e não sei onde ele está.

Publicado por tyler em dezembro 17, 2004 07:37 PM
Comentários

Não vou encontrar o teu velho eu porque simplesmente ele não existe… Aliás, existe e faz parte de ti. Também te digo que não acredito que tenhas mudado para pior… Acredito sim, que em determinadas alturas da vida mais complicadas as pessoas alteram-se, não são capazes, não sabem lidar… Acredito também quando se diz que é nas alturas mais difíceis que realmente se conhece alguém e as suas qualidades. Relativamente à confiança (risos), sabes que eu acho que há demasiado pouca gente em quem podemos confiar (sabes a última que me fizeram… lembra-te de mail’s meus que recebeste e que não te eram destinados). De alguma forma, as pessoas aprenderam a não perdoar, aprenderam a jogar, aprenderam a “usar” a informação que lhes foi transmitida em proveito próprio e não hesitam em jogar com a fragilidade dos outros…
Acerca das relações de cumplicidade e carinho (sabes que mentes em relação a isto), tenho-a com a minha família e com os meus amigos… e (apesar de ser mais velha que tu) ainda procuro mais (risos).
Falamos sobre isto amanhã durante a viagem…

Afixado por: Magnólia em dezembro 17, 2004 08:16 PM

sempre que uma pedra cai a agua, a agua demora o seu tempo a reestabelecer o equilibrio natural e tem que se esperar uma boa meia hora para se conseguir ver o nosso reflexo nitido na agua. Se for um pedregulho, mais um tempinho. Se for uma explosao, pronto, demora uns diazinhos e a margem do rio/lago altera-se um pouquinho tambem. E tudo normal, e so esperar, testemunharas muitas transicoes e turbilhao mas no final, o teu reflexo estara la, com ou sem margens modificadas! Um grande abraco e nao deixes de sonhar (e a pior mas tambem a melhor coisa que temos...)

Afixado por: xana em dezembro 18, 2004 12:32 PM

Não percebi!
A dúvida é se "correspondida morna" é melhor que "não correspondida ardente", e como isso pode influenciar a vida de um indivíduo adulto, do sexo masculino, com sérias dúvidas acerca de muitas coisas incluindo se nesta fase da vida, que é diferente de uma outra vivida até há bem pouco tempo (?), assumir "uma" ou "outra" pode ser determinante para o seu bem estar e afirmação pessoal?

Afixado por: Francisco em dezembro 20, 2004 02:06 PM


Antes de mais, aproveito para dar os parabéns pelo blog, que acompanho há já algum tempo (embora nunca tenha comentado nada).
Em relação ao que escreveste, julgo que com o passar dos anos começas a perceber que nem tudo pode ser como nós gostaríamos. São essas dificuldades que nos fazem crescer e ganhar maturidade. O ideal é irmo-nos adaptando a essas situações e pensar que, na maior parte das vezes, podemos escolher o desenrolar dos acontecimentos nas nossas vidas. Noutras, temos que aceitar que há coisas que, por mais que queiramos, não as conseguimos mudar.
Se calhar não tens de procurar o teu velho EU...se isso significa não passar por experiências diferentes (por vezes difíceis) e continuar a encarar a vida sp da mesma forma...Pessoalmente, acho que todas as pessoas passam, mais cedo ou mais tarde, por fase de "dúvida", quase como se não se conhecessem...até que chegam a um ponto em que se sentem confortáveis com o novo "EU".

Afixado por: Hoot em dezembro 20, 2004 11:04 PM