Iniciou-se ontem, em Almada, o congresso do PCP, em que se vai dar a mudança de líder do partido: a Carlos Carvalhas vai suceder Jerónimo de Sousa. Acho que este congresso não tem tido a cobertura mediática que merecia, porque embora o peso do PCP já não seja o que era há uns anos, em que ainda se via a força do PC, a verdade é que a mudança de líder nos comunistas é tão rara, que bem merece ser notícia. Eu com os meus 30 anos só tinha conhecido dois líderes do PCP (número que seria igual se tivesse 40 anos). Só por comparação, assim de repente, lembro-me de uns dez líderes do PSD no mesmo período...
Se depois de 30 anos de liderança de Álvaro Cunhal, muitos esperavam que Carlos Carvalhas trouxesse a renovação que a idade de Cunhal já não parecia permitir, a verdade é que estes anos de liderança acabam por ficar marcados, na minha opinião, pela perseguição aos que ousaram apontar os erros do partido, e que tentaram transformá-lo num partido moderno, adaptado à realidade actual. Foi também na liderança de Carlos Carvalhas que o PCP perdeu a força que tinha junto da juventude, que se revê cada vez mais no discurso do Bloco de Esquerda, que hoje é, claramente, a terceira força política entre os jovens.
Se as expectativas em relação a Carvalhas eram muitas e parece-me que ele não as cumpriu, talvez aconteça o contrário com Jerónimo de Sousa, de quem ninguém está à espera que possa trazer grandes transformções, e quem sabe, não será ele o impulsionador da renovação de que o PCP bem necessita para continuar a desempenhar um papel importante no espectro político português.
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