novembro 07, 2004

Há quase um ano...

Há quase um ano atrás, tive uma experiência que me demonstrou como pode ser frágil a linha que nos segura à vida. Quando ia a saír de casa para ir ao médico, uma queda, que nunca percebi como aconteceu (julgo que devida a fraqueza depois de muitas horas sem comer), fez-me cair inconsciente e partir a cabeça. Acordei alguns minutos depois (não sei quantos), com a cabeça cheia de sangue e sem saber o que me tinha acontecido. A história teve ainda a participação de um vizinho, que se recusou a ajudar-me por se ter assustado com o sangue, e de um empregado de café, que me prestou os primeiros socorros e que prontamente chamou uma ambulância.
Mas esta história viria a ter outra persongem principal, uma amiga, que numa hora difícil, como noutras horas difíceis anteriores, esteve sempre presente e com todo o carinho ajudou-me a superar um mau momento. Na mesma altura em que descobria a fragilidade da vida, redescobria a força da amizade, e confirmava o que sentia há muito tempo: que aquela amizade não era apenas mais uma, que do outro lado, estava a Amiga, a pessoa com quem eu queria partilhar as minhas alegrias, mas também estavam os ombros onde eu queria chorar quando as coisas corressem mal.
No meu optimismo característico pensei que nada alteraria isso, que continuariamos a confiar um no outro e a cimentar esta amizade.
As coisas não aconteceram como esperava: desconfianças, acusações e discussões abanaram a estrutura desta amizade, mas eu sinto que as raízes ainda estão fortes, e que os ramos e as folhagens que caíram podem dar lugar a outros mais fortes e mais resistentes.
Por isso, esperando que não leves a mal falar de algo que é nosso neste espaço que é público, digo-te que, hoje, como há um ano atrás, continuarias a ser tu a pessoa que eu gostaria de ver quando saísse do hospital, assim como gostaria que fosse o meu número que pensasses em ligar sempre que precisasses de ajuda.

Publicado por tyler em novembro 7, 2004 12:16 AM
Comentários

Pois é! Essa amiga tinha estado a fazer umas horas na pediatria de um hospital em Lisboa e não tinha jantado… Estava a chegar ao 2º andar de um centro comercial, com graves dificuldades em disfarçar a saliva que lhe inundava a boca só de pensar num “bigmac”, quando recebeu um telefonema a dizer que estavas no hospital… “F***-se!! Hospital!? O gajo não estava só com uma gripe?” Dirigi-me ao hospital (desta vez dos “grandes”) e acredita que, quando saíste, se não estivesses cheio de sangue, com a cabeça toda cosida… voltavas para lá!! (risos). Lembro-me que quando chegamos a casa obriguei-te a tomar banho, lembro-me que fiz um chá e comemos qualquer coisa. Lembro-me que te perguntei se querias que tirasse um dia de férias para ficar contigo (o médico tinha dito que não deverias ficar sozinho nas próximas 48 horas)… Lembro-me que, quando voltamos a tua casa, sem te dizer nada, entrei em pânico com a quantidade de sangue que perdeste ao longo das escadas…
Voltava a fazer o mesmo… ou contigo ou com qualquer outra pessoa que precisasse de ajuda. Apesar de tudo… sei que sabes disso!

Afixado por: uma amiga em novembro 7, 2004 04:28 PM

bonito :)

Afixado por: irma da amiga em novembro 9, 2004 09:44 AM

Subscrevo o que disse a irmã da amiga!

Afixado por: Amigo do amigo e da amiga em novembro 9, 2004 07:26 PM

É bom ter amigos assim!

Afixado por: Ana [Lua] em novembro 16, 2004 02:20 AM