Situações como o favorecimento à filha do Ministro dos Negócios Estrangeiros, não deverão ser tão raras quanto isso, mas estas situações raramente são denunciadas, pelo que acabam por morrer no "diz que disse". A denúncia é, ainda, muito mal vista no nosso país, em especial pela esquerda. As razões são óbvias, muitos associam este comportamento com os bufos, aqueles que, durante a ditadura, denunciavam os criminosos políticos que ousavam ver a sociedade de forma diferente dos senhores do Estado Novo.
Denunciar alguém a um regime não-democrático, que prende de forma arbitrária e procede à tortura e maus-tratos de todo o tipo aos que não concordam com ele, é uma atitude cobarde e reprovável. Num regime democrático, como é o nosso, denunciar alguém que cometeu um crime é, antes de mais, um dever cívico. Ninguém quer fazer de cada pessoa um polícia, ao estilo do descrito pelo Georges Orwell no "1984", em que os filho sdenunciavam os pais se estes ousassem ir contra o pensamento do Grande Irmão, trata-se simplesmente de evitar que a corrupção, a evasão fiscal, a violência doméstica e tantos outros crimes fiquem impunes.