No outro dia, enquanto ocupava algum tempo da hora de almoço a falar com um colega sobre a diminuição da natalidade, ele revelou-me a sua teoria, que partilho com todos os que lêem este blog. Segundo ele, a diminuição da natalidade é positiva, porque permitirá a médio prazo diminuir o número de habitantes do nosso país e, como já me tinha exposto anteriormente, ele defende que há uma relação inversamente proporcional entre a densidade populacional e qualidade de vida. O argumento parece lógico, muita da riqueza do país é gerada pelos recursos naturais, que não dependem do número de habitantes, e por isso, com menor número de habitantes, estes recursos gerariam um maior rendimento per capita. Mesmo pensando que há países, como a Holanda, que com uma densidade populacional muito superior à nossa, têm um rendimento médio superior ao nosso, acho lógico admitir que este rendimento por habitante seria ainda maior, se a densidade populacional fosse mais reduzida. Ainda por cima, uma menor densidade populacional, obrigaria a construção de menos estradas, prédios e de tantas outras estruturas, permitindo poupar áreas naturais da intervenção humana.
Na altura, ainda lhe disse que, mesmo sendo verdade que um menor número de habitantes poderia elevar a qualidade de vida, a diminuição da natalidade, aliada aos progressos na medicina, conduziriam a um envelhecimento da população, o que culminaria na falência do actual sistema de Segurança Social, com todas as consequências que daí adviriam. O meu colega, que já tinha reflectido sobre este argumento, defendeu que esta falência da Segurança Social não passa de um mito, e que o aumento da produtividade, aliado a um aumento das contribuições, permitiria manter o actual regime de pensões. Trata-se de matéria complexa, e que exigiria bastantes cálculos, até porque é bastante difícil estimar qual será o crescimento da produtividade em Portugal, por isso, e porque estávamos já no final da hora de almoço, demos por encerrada a discussão, sem que eu tivesse apresentado argumentos fortes de que a diminuição da natalidade e consequente envelhecimento da população era um problema e não, como ele defendia, uma solução.
Esqueci-me de lhe referir um último argumento, uma sociedade envelhecida é uma sociedade com menos capacidade de sonhar, os estudos de opinião demonstram que os mais velhos têm uma atitude mais desconfiada, mais conservadora e, por razões óbvias, pensam mais no curto prazo. Lembro-me de ler uma reportagem sobre a grave crise em que está o Japão, com uma deflação que dura há anos, e os mais idosos entrevistados, revelarem que estavam contentes por esta deflação, uma vez que isso lhes tinha aumentado o poder aquisitivo das suas pensões, permitindo que viajassem cada vez mais. É claro que estes japoneses, não ignoravam as graves consequências que este cenário pode trazer – e já traz – para o seu país, mas acham que deverão ser os jovens a pensar nisso. Uma sociedade envelhecida, é uma sociedade menos aberta, com mais preconceitos, mais conservadora e com muito menos sonhos. E é bom acreditar que o sonho comanda a vida.
Está certo, é importante que haja capacidade de sonhar.
Mas deixa-me acrescentar: não acho que o objectivo deva ser envelhecer a sociedade. Acho apenas que esse é o único meio de evitar males maiores a longo prazo.
O objectivo deve ser ter um planeta habitável daqui a 100 anos. E um planeta habitável não é uma esfera sem espaço para árvores nem animais selvagens, de tão apinhada de prédios, estradas e pessoas. Ainda por cima, as pessoas que estiverem nessa esfera, não vão certamente poder dispor de espaço nem de tempo para o que quer que seja, incluíndo SONHAR.
o envelhecimento demográfico é um grave problema dos países desenvolvidos
aliás, considera-se país desenvolvido aquele que tem envelhecimento demográfico pq isso implica controle da natalidade, melhoria das condições de saúde e higiene e aumento da esperança média de vida
além da inevitável falência da Segurança Social, a minha questão é outra: o que fazer com os nossos velhinhos!?