setembro 16, 2003

Professores

Nos últimos dias, a propósito dos resultados de colocação dos professores, muito se falou no problema do excesso de professores e na situação de desemprego em que estão milhares de professores.
É claro que me preocupa o facto de existirem tantos milhares de professores que não podem exercer a profissão que escolheram e para a qual se prepararam, mais preocupado fico, porque suspeito que entre estes não-colocados há muitos que têm vocação para ensinar e, entre os que têm colocação, há tantos que estão no ensino contrariados, por falta de alternativas. Lembro-me de no meu percurso escolar ter tido alguns professores, que assumiam que não gostavam de ensinar, felizmente que mais foram aqueles que o faziam com gosto, e é desses que eu guardo melhores recordações, lembro por exemplo o Senador Viegas, meu professor de Organização e Administração de Empresas no 10.º ano, ou o Dr. Sousa Andrade, professor de Introdução à Economia na Faculdade.
Muitas soluções têm sido apontadas para o excesso de professores em relação às necessidades reais do país. Julgo que a solução terá sempre de passar pela redução dos numerus clausus para cursos cujas saídas profissionais estão totalmente congestionadas. Por muito que se proteste por estas limitações, não faz sentido que o estado gaste milhóes na formação de professores, sabendo que uma grande parte deles não poderá exercer essa profissão, isto é mais grave, porque estes recursos poderiam ser canalizados para outras áreas, onde há falta de profissionais qualificados.
Acho que não é tarde (nunca é!) para se fazer uma aposta séria na educação, que até já foi anunciada como paixão de um ex-primeiro ministro, mas não passou de uma paixão platónica. Precisamos de um governo que ame a educação, que contagie com este amor todos os agentes educativos, para que, finalmente, se aposte decisivamente na educação, porque, não podem existir dúvidas, que nunca nos vamos aproximar do desenvolvimento dos grandes países da Europa, se não tivermos uma educação com a mesma qualidade que eles têm.

P.S. Este é o post n.º 100, obrigado a todos os leitores, sejam os ocasionais, sejam os habituais, por me darem o incentivo para atingir este número.

Publicado por tyler em setembro 16, 2003 11:33 PM
Comentários

O que me aborrece é que se julgue que o facto de X figura pública ser um génio em X assunto, possa de alguma forma ser um bom professor.

Afixado por: wildblue em setembro 16, 2003 11:42 PM

Penso que o facto de qualquer recém-licenciado se encontrar habilitado a dar aulas ajuda a saturar um sistema de ensino que se defronta com o problema de falta de alunos como consequência do cada vez maior envelhecimento da população. O problema é profundo e demorará várias gerações para se resolver.

Parabens pelo 100. Não sei a que partir de que número é que deixa de ser 'moda' para passar um 'hábito', mas vais no bom caminho.

Afixado por: Verbal em setembro 17, 2003 12:26 AM

A concorrência nunca fez mal a ninguém. Em teoria quanto maior a concorrência melhor a qualidade. O problema é que esta não é um factor determinante na colocação dos professores. O que faz falta é a reforma da função pública.

Afixado por: Isso agora... em setembro 17, 2003 01:27 PM