Confesso que sou um adepto do Verão e do bom tempo, nada como um dia de sol sem nuvens para carregar as minhas baterias. No entanto, não consigo ficar contente com o magnífico Sol que brilha pela janela, sabendo que esse Sol é o mesmo que, aliado à mão criminosa e a falhas na prevenção, contribui para a situação de catástrofe que se vive na nossa floresta. Segundo a edição de hoje do jornal "Público", a área ardida em Portugal, neste ano de 2003, poderão não ser os 162.000 ha estimados pela Direcção-Geral de Florestas, mas sim 300.000 ha. Estamos a falar de cerca de 3,4% da área de Portugal continental. Para perceber a dimensão da tragédia, basta referir que estes 300.000 ha, que até poderão ser mais, representam o triplo da média do que ardeu nos últimos dez anos, e 10 vezes mais do que ardeu em todo o ano de 1997.
Com a perspectiva de o tempo continuar quente e seco, este ano vai ser lembrado como um ano negro, negro como as árvores carbonizadas de tantas florestas do nosso país.